Negócios

ADI – PR e JdeB – A China praticamente esgotou suas reservas de carne suína congelada, segundo novas estimativas, o que coloca em evidência a escassez de oferta no maior mercado mundial de proteínas depois de dois anos da chegada da peste suína africana ao País. Esta situação teve impacto na produção e nos preços dos suínos no Brasil, que é exportador desta proteína animal para a China.
O nível das reservas é “Segredo de Estado” na China, que lidera produção, consumo e importações mundiais de carne suína. Mas a consultoria londrina Enodo Economics estima que o volume tenha diminuído cerca de 452 mil toneladas entre setembro de 2019 e agosto de 2020.
De acordo com Diana Choyleva, economista-chefe da Enodo Economics, o País tem atualmente menos de 100 mil toneladas de carne suína em estoque. “Nesse ritmo, em dois a três meses eles vão ficar sem”, acrescentou.
O presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), itapejarense Jacir Dariva, comentou ao JdeB esta situação vivida pelo país asiático. “A primeira questão. Isso era visto, já fazem dois anos que eles só tão tirando, como não tá sobrando carne pra fazer estoque, eles só tiram dos estoques, mais hoje, mais amanhã, isso ía acontecer naturalmente.”
Jacir ressalta que “o apetite por carne é no mundo inteiro, qualquer tipo de carne, agora não é mais só a suína, dá sinais de que eles [a China] têm pouco estoque”.
Em relação ao preço, o dirigente diz que o preço do suíno se estabilizou há cerca de quatro semanas e se mantém, em São Paulo, entre R$ 8 e R$ 8,30, no Paraná na faixa R$ 7,50 a R$ 8, ou pouco acima, por causa da distância que tem de São Paulo. “O pessoal do Norte do Paraná tem um pouquinho mais de vantagem em relação ao pessoal aqui do Sudoeste e do Sul, por causa da proximidade de São Paulo.
Então [a rentabilidade do pessoal daqui] foi até menor, teve desconto de frete por quebra e a transportadora alguma coisa, sempre em torno de 8% a 10% nós recebemos a menos que São Paulo.”
O presidente da APS relata que os produtores estão vendendo animais não muito pesados, diz que a oferta, a demanda e a procura “estão bem ajustadas já fazem duas semanas [terceira e quarta semana de setembro] que os frigoríficos estão tentando reduzir o preço do suíno vivo, mas não tão achando amparo nisso porque daí o produtor; na ameaça, ele some da venda, eu acredito que esse preço se estabilizou por aí e, se subir, só se puxar o preço do boi de novo, caso contrário vai ficar por aí um pouco mais ou menos mas vai ficar nesse estágio”.
Jacir ressalta que não há como baixar o preço de R$ 7 o quilo do suíno vivo porque o preço do farelo de milho aumentou e se o preço for abaixo deste valor dá prejuízo ao produtor. “Então, assim, o preço está alto, mas a margem para o produtor não é das melhores ainda”, comenta.
O presidente da APS analisa que a retirada de alíquotas de importação para soja e milho, autorizada pelo governo, visando facilitar as importações e, assim, abastecer as indústrias por tempo determinado, “eu acho que acaba sendo bom para o consumidor, mas ruim para o mercado, porque se não tem soja, não tem milho, não tem arroz, é o mercado internacional que tá ditando os preços hoje, não o mercado interno”.
Jacir lembra que o controle das commoditties está nas mãos de grandes grupos nacionais e internacionais que têm muito capital.





