Hora da Guerra (Jorge Amado) – Meninos, eu li

Até então um subversivo perante o Estado-Novo, em 1942 Jorge Amado e outros militantes da causa comunista passaram a ser tolerados pelas autoridades brasileiras. Pressionado pelos Estados Unidos, Getúlio Vargas – que outrora flertara com o nazifascismo – declarara guerra à Alemanha, Itália e Japão. Jorge voltava ao Brasil para se empenhar na luta, no seu caso uma luta ideológica, em prol da causa democrática. 

Contexto: da proibição de escrever à luta ideológica contra o nazifascismo 

Membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e autor de livros engajados, Jorge Amado sofreu represálias. Acusado – injustamente – de ter participado da intentona que visava a deposição de Getúlio, foi preso em 1935. Dois anos depois, seus livros foram retirados de circulação e incinerados em praça pública de Salvador, além de ter sido proibido de publicar novas obras. Partiu para o exílio em 1941. 

Com a abertura política, em razão da guinada pró-nações aliadas, Jorge voltou ao Brasil, com a condição de permanecer na capital da Bahia, apresentando-se semanalmente numa delegacia local e sem permissão para deixar o Estado. 

Um livro póstumo 

Nesse ínterim, começou a assinar a coluna “Hora da Guerra” no jornal O Imparcial. As crônicas no periódico duraram até 1945, quando teve fim a Segunda Guerra Mundial. Os textos opinativos ficaram esquecidos por décadas, até serem resgatados pela Companhia das Letras. Em 2008, sete anos depois da morte do baiano, como parte do relançamento de todos os títulos do baiano, a editora reuniu 103 colunas num livro – de capa impecável, diga-se de passagem. 

Através de “Hora da Guerra”, é possível conhecer outra face de um dos mais importantes escritores brasileiros. Pode-se considerar essa face um tanto quanto jornalística, pois nela Jorge informava os leitores dos acontecimentos mais recentes do conflito mundial, munido sempre de comentários em favor da causa anti-nazifascista. Por vezes, ele satiriza o principal apoiador de Hitler e Mussolini no Brasil, o integralista Plínio Salgado. 

Naquele então, Jorge se posicionava como um admirador da União Soviética e deixa claro essa predileção em crônicas em que exalta feitos de Joseph Stálin. Anos depois, Amado rompe o ciclo ao tomar conhecimento das denúncias de crimes cometidos por Stálin feitas por Nikita Kruschev. 

Embora ao longo da vida tenha se declarado sem habilidade para crítico literário, abordou na coluna de O Imparcial – crônicas inseridas no livro – o lançamento de obras de escritores como José Lins do Rego e Ilya Ehrenburg. 

Acima de tudo, ler “Hora da Guerra” é voltar no tempo do mais sério conflito entre povos de todos os tempos, através dos relatos de quem sofreu e vibrou com os desdobramentos do período. 

Referências

  • Título: Hora da Guerra;
  • Gênero: Crônica;
  • Autor: Jorge Amado;
  • Número de páginas: 296;
  • Editora: Companhia das Letras;
  • Ano de lançamento: 2008 (póstumo).

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