Bolsonaro e Lula, políticos da velha guarda. Não há país que vá pra frente com lideranças que estão há 40 anos no noticiário.
Muita gente deve dizer isso para o ex-presidente Jair Bolsonaro: se acomoda, capitão, fica em casa, e cuida da saúde…
Nesta semana, mais uma vez ele teve que interromper atividades públicas e correr para o hospital. No mês passado, ou retrasado, a mesma coisa, abortando uma série de visitas que estava fazendo por Estados do Nordeste.
A gente não sabe o que se passa na cabeça de uma figura assim, mas parece razoável acreditar que ele está meio atrapalhado, talvez verdadeiramente assustado pela decisão que vem aí (dizem que em outubro sai a sentença do STF, e ele deverá passar um tempo na prisão — domiciliar, como a argentina Cristina Kirchner, ou numa sala especial, tipo o presidente Lula em Curitiba entre 2018 e 2019).
Mas o fato é que a saúde está debilitada. E não só isso: Bolsonaro está inelegível e, atenção, nada vai mudar isso. É uma ilusão que alguns bolsonaristas tentam emplacar, aqui e ali, de que haverá uma ampla anistia, tanto para os baderneiros do 8 de janeiro quanto para os que tramaram um golpe, etc.
O presidente Lula também não está 100% de saúde, mas é nítido que está mais forte que Bolsonaro, fisicamente falando. Teve câncer; tempos atrás caiu no banheiro e bateu a cabeça, mas aparenta estar mais inteiro (anda falando umas coisas estranhas de vez em quando, que o jornalismo amigo sempre diz que foi “uma gafe”…).
E Lula tem dito, em entrevistas e discursos, que só não será candidato se a saúde não permitir. Talvez possa vir a ser uma desculpa, caso o quadro de 2026 aponte para uma derrota governista e Lula, cioso da sua biografia, não queira sair da cena pública com uma derrota humilhante. Será fácil, creio, arrumar um atestado com o dr. Roberto Kalil Filho e vir a informação que o presidente não está em condições de encarar uma maratona eleitoral, etc. Vamos aguardar.
Muitos analistas discorrem sobre “o fim de uma geração”. Essas figuras da constituinte de 1988 estão esgotadas. Atenção: Lula foi candidato em 1989! Um dos que também concorreram naquele pleito foi o hoje governador de Goiás, e presidenciável, Ronaldo Caiado. O Brasil não precisa mais desses veteranos. Não há país que vá pra frente com lideranças que estão há 40 anos no noticiário.
Torço para que uma nova leva de políticos tenha o espírito das reformas (como o “vovô” Temer teve, inspirado no documento modernizante “Uma ponte para o futuro”, que nos legou uma reforma trabalhista (facilidade para contratar e o fim do imposto sindical obrigatório), teto de gastos (não podia gastar mais do que se arrecadava), lei das estatais (fim do aparelhamento político das empresas), entre outros itens.
Infelizmente os governos que sucederam o documento “Uma ponte para o futuro” não levaram adiante a pauta de modernização. Bolsonaro e Lula são políticos da velha guarda, são, por formação política, adversários das reformas.
Seja quem for o próximo presidente — Tarcísio, Zema, Ratinho, Leite —, que consiga ter rapidamente uma ampla maioria no Congresso e que seja uma gestão reformista
E que Bolsonaro, Lula e Caiado fiquem em casa.






