É muito bom ver um filme sereno de vez em quando. Fugir um pouco das superproduções e dos thrillers repletos de efeitos especiais, filmagens que, por vezes, se resumem à pós-produção. Tira-se o que o computador fez e sobra um punhado de estereótipos, uma história reeditada e um roteiro manjado.
Não, não estou brabinho com algum filme podre, do qual esperava algo mais. Só estou dizendo que é saudável variar, não ficar somente no “papai e mamãe” como diria alguém que conheço. E para quem estiver disposto a ver algo com mais “sustança” recomendo Conversas com Meu Jardineiro. Sem trocadilhos.
Aqui encontramos um pintor de relativo sucesso que decide reencontrar suas raízes voltando para sua cidade natal, no interior do país. Embora a tranquilidade financeira paire sobre sua vida, o mesmo não se pode dizer de sua vida afetiva. Após a perda recente dos pais Du Pincel está em processo de divórcio, comunicando-se pouco com a filha e em crise de inspiração diante das telas.
Ao encontrar a velha casa abandonada ao mato, decide reformá-la e revitalizar o jardim como sua mãe o tinha. O anúncio de que precisava de um jardineiro promove o reencontro com um amigo de infância: Du Jardim.
A convivência desses dois cinquentões reacende a amizade — agora madura — na qual eles vão atualizar as fofocas, trocar confidências e comparar suas diferentes visões de mundo, originadas de experiências de vida distintas.
Enquanto Du Pincel foi para a capital ser artista e moderninho, Du Jardim ficou e virou operário, constituindo família e viajando nas férias. Inevitavelmente eles vão se ajudar, não apenas em suas funções, mas em seus sentimentos.
O filme é despretensioso e extremamente sereno. Como as boas produções, inspira a reflexão e valoriza certos aspectos de uma vida simples. Só acho que a fotografia poderia ser mais bem apresentada, aproveitando uma paisagem bucólica para emoldurar melhor um ótimo filme escondido no MUBI.






