Você até pode se achar legal, mas interessantes mesmo são os vampiros. A imortalidade, o mistério, essa logística meio problemática de existir: difícil competir quando suas maiores fraquezas envolvem alho e luz solar. Já pensou viver pra sempre e não poder dar um pulo na feira? Se alguém ainda discorda, recomendo dormir com uma estaca de madeira do lado da cama.
Por isso, minha trama vampiresca preferida é Entrevista com o Vampiro. E não, não estou falando do filme, me refiro à série mesmo, lançada em 2022 e que já está encaminhando sua terceira temporada.
O protagonista Louis é bonito, bem-sucedido e completamente vazio por dentro. Depois da morte do irmão — da qual ele acaba levando a culpa — tudo desanda de vez. Perdido pela noite, ele cruza o caminho de Lestat, que oferece exatamente o que parece faltar: uma nova existência e, de quebra, um tipo de afeto que ele nunca teve. Com uma mordida no pescoço, Louis ganha a eternidade e um problema novo: uma fome constante por sangue humano. Mas tudo bem, porque ele também acredita ter encontrado o amor da vida dele. Pelo menos no começo.
Mais de um século depois, ele resolve contar essa história para Daniel, um jornalista em fim de carreira. E aí entra o que realmente sustenta a série: não é só sobre vampiros. São os diálogos, as relações meio tortas e, principalmente, o fato de que o terror fica quase em segundo plano.
No fim, Entrevista com o Vampiro não está nem um pouco preocupada em vender a vida eterna como vantagem. A graça está justamente no contrário: nas consequências e na solidão que vêm junto com ela.






