Área de cultivo será maior na região de Francisco Beltrão devido ao ótimo preço da saca.

Parte da previsão dos institutos de Meteorologia se confirmou ontem com a chegada da chuva ao Sudoeste do Paraná. Mas o volume de chuva foi menor que o previsto para toda a região. Teve município que nem choveu. Em Francisco Beltrão choveu cerca de 10,8 milímetros.

O agricultor Leoclínio Brufatti, presidente do Sindicato Rural e morador de Seção Jacaré, em Beltrão, diz que precisa chover de 50 a 60 mm para ajudar o desenvolvimento das lavouras de milho da safrinha – a segunda safra.
Antoninho Fontanella, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), do Núcleo da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) de Francisco Beltrão, confirma que é preciso pelo menos 50 mm para ajudar as plantas a se desenvolverem.
Em 17 dias – até a tarde de ontem – choveu cerca de 27 mm em Beltrão. A média histórica é de 125 a 150 mm de precipitação para março. Os institutos de Meteorologia já alertaram, no fim de fevereiro, que a previsão para os meses de março e abril é de precipitações abaixo da média histórica.
Área de cultivo será maior
A previsão de plantio de milho na safrinha será maior do que o inicialmente previsto pelos técnicos do Deral-Seab nas regiões de Beltrão-Dois Vizinhos. No levantamento anterior, a estimativa apontava área de 84 mil hectares. Mas houve uma reavaliação nesta semana para mais de 90 mil hectares para produção de grãos. A perspectiva é que sejam colhidos 540 mil toneladas, basicamente para consumo regional – cadeias de aves, leite e suínos.
Muitos agricultores vão se aventurar no plantio de milho devido ao preço da saca, que está na faixa de R$ 78 a R$ 80.O último período indicado para o plantio vai de 20 a 25 de fevereiro, mas no começo desta semana ainda tinha produtor plantando. “É muita aventura, já é metade de março e no fim de maio podem ocorrer geadas”, alerta Antoninho. Ele, no entanto, compreende que o preço é um forte atrativo para o plantio.
A área desta cultura para ser usada como silagem está estimada em 37 mil hectares. Antoninho acredita que no momento da colheita uma parte dos produtores vai acabar vendendo parte da produção para as indústrias devido ao preço. A tendência é de preços em alta e estáveis devido à demanda e às exportações.
No momento, na região de Beltrão-Dois Vizinhos, de 10% a 15% das lavouras estão em germinação, 2% a 3% em floração e o restante em desenvolvimento vegetativo. Antoninho diz que a chuva é importante neste momento para favorecer a germinação das sementes e a floração, bem como o aparecimento de pragas nas lavouras. Já tem informações do ataque da cigarrinha do milho em algumas lavouras.
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Volume de chuvas de ontem
Capanema: 17,2 mm
Clevelândia: 11,6 mm
Francisco Beltrão: 10,8 mm
Nova Prata: 10 mm
Palmas: 6,8 mm
Fonte: estações do Simepar e Inmet
Em Seção Jacaré só dez milímetros
O agricultor Leoclínio Brufatti, de Seção Jacaré, em Francisco Beltrão, diz que na comunidade a chuva de ontem foi de apenas dez mm. Apesar da pouca quantidade, a precipitação ajuda as plantas que enfrentam o estresse hídrico devido ao forte calor e, até então, baixa umidade do solo.
Em sua propriedade foram plantados 12 alqueires de milho, em várias datas. As primeiras lavouras estão desuniformes. “Não germinou bem parelho”, relata. Para ele, é preciso chover de 50 a 60 mm para que as plantas se desenvolvam bem.
Em Seção Jacaré, a maioria dos produtores plantaram feijão na segunda safra.





