Alta nos custos, falta de mão de obra e idade motivam fim de produção artesanal.


Almerindo Firmo Correia, duas décadas dedicadas à produção da cachaça artesanal de Alambique em Pato Branco. Um pequeno produtor rural da comunidade Encruzilhada no Município. Aos seus (74) anos de muito trabalho e dedicação está encerrando suas atividades neste final de ano.
Do mel à cachaça: mudança por conta da natureza
Almerindo, conhecido pelos amigos como (Alemão) afirma que a história começou com o cultivo de abelhas, que impactado pelo uso excessivo de venenos na natureza resolveu mudar. Com o declínio na produção de mel, surgiu a ideia de aproveitar a cana que antes era alimento para os animais. Como eu tinha uma boa produção e incentivado por amigos iniciei a produção da cachaça, e sempre um processo totalmente familiar, artesanal e feito com muita dedicação.
Um processo caro e exigente
“É um investimento alto. Os equipamentos são caros, os barris, o engenho… tudo tem um custo pesado”, relata o produtor, que precisou adaptar todo o processo conforme suas condições e também do jeito que ele gostaria. A produção anual sempre entorno de (2) (3), mil litros, o ano de maior produção foi de 4.500 litros. Hoje, com o aumento de custos e a dificuldade de encontrar mão de obra local, parte da cana precisou ser trazida de fora, por arrendamento ou mesmo comprando de outros produtores. Mesmo com encomendas já feitas para este ano e uma reserva guardada para alguns clientes antigos, a decisão de parar foi inevitável.
A idade e as dificuldades do inverno
“É um trabalho muito difícil, depende de muito esforço e dedicação, a idade chega e precisamos pensar na saúde, até porque é um serviço que a temporada de produção é no inverno e ai tudo fica mais difícil”. Alemão lembra na década de (60) quando, piá com seus 10 anos, produzia com a família muito melado, rapadura, açúcar mascavo, tudo com o engenho tocado por “junta de boi’ era uma época muito difícil, artesanal e sofrido.
Memórias de um tempo simples
Naquela época havia um carroceiro que vinha de Marmeleiro, passava na nossa casa, enchia carroça de (2.500) maços de Rapadura, Melado e Açúcar Mascavo levava até o Município de Palmas que era o mais desenvolvido, saía na sexta-feira, na semana seguinte no sábado retornava, com um saco de farinha, cacho de banana, e tecidos para fazer roupas para família toda.
A valorização da memória e da agricultura
A tecnologia transformou o campo mas a lembrança ainda mora viva em nossa memória. Temos que celebrar o Dia do Agricultor (25 de julho) com orgulho e uma boa dose da nossa história.”
O fim dos alambiques artesanais?
Hoje restam poucos Alambiques, tanto em Pato Branco, quanto na nossa micro região, aos poucos as grandes indústrias vão tomando conta porque faz parte do processo, mas em alguns anos dificilmente teremos cachaça artesanal , enfatizou o produtor.







