Reajuste de 19% na tarifa da Copel é abusivo, afirma Sistema FAEP


Investimentos realizados pela companhia não beneficiam os produtores rurais, que continuam registrando prejuízos milionários diante da recorrente falta de energia


A Revisão Tarifária Periódica da Copel em 2026 surpreendeu o setor agropecuário do Paraná. A proposta em consulta pública prevê aumento médio de 19,2% nas tarifas, com vigência a partir de 24 de junho de 2026, se for aprovada pela Aneel.

Diante desse índice e dos frequentes apagões no meio rural, que resultam em comprometimento da produção e prejuízos financeiros, o Sistema FAEP considera o reajuste abusivo.

“O Sistema FAEP é frontalmente contra esse ajuste”, afirma o presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette. “Embora a distribuidora tenha realizado investimentos, isso não impactou positivamente os produtores rurais. Ao contrário. Os relatos dos produtores são de perdas nas produções de frango, peixe e leite e queima de equipamentos por conta da falta de energia elétrica e apagões constantes”, completa.

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A revisão tarifária leva em conta investimentos, custos de transmissão e encargos setoriais realizados pela distribuidora em um ciclo de cinco anos. A Copel Distribuição atende cerca de 5,29 milhões de unidades consumidoras no Paraná, e a consulta pública da Aneel recebe contribuições entre 8 de abril e 22 de maio, com audiência pública marcada para 29 de abril, em Curitiba.

Caso o aumento seja confirmado, o impacto será amplo também no campo. Segundo o Sistema FAEP, 311 mil unidades consumidoras rurais podem ser afetadas.

“O serviço ofertado pela Copel no meio rural deixa a desejar, impactando severamente na produção dentro da porteira. Pedimos que não ocorra o reajuste da tarifa, mas a redução ou o ressarcimento pelos danos e prejuízos acumulados que os nossos produtores rurais paranaenses estão acumulando”, destaca Meneguette.

Perdas generalizadas no campo

Nos últimos anos, pecuaristas e agricultores de várias regiões do Paraná vêm relatando prejuízos com perdas na produção em razão de quedas recorrentes no fornecimento de energia elétrica e oscilações na tensão da rede. Conforme o Sistema FAEP, os relatos incluem mortalidade de animais, principalmente peixes e frangos, perda de produção de leite e queima de equipamentos como motores, bombas de irrigação, climatizadores, painéis de controle e resfriadores.

Uma pesquisa encomendada pelo Sistema FAEP em 2024, com 514 agricultores e pecuaristas do Paraná, apontou que 85% dos entrevistados não estão satisfeitos com o fornecimento de energia elétrica. Entre os principais motivos citados estão falta constante de energia, demora na resolução dos problemas e oscilação na rede.

“O produtor rural segue surpreendido pela Copel com péssima qualidade de serviço, com quedas constantes de energia, oscilação de tensão elétrica, queima de equipamentos e perda de produção. O reajuste nesse patamar é o pior dos piores cenários”, diz o presidente do Sistema FAEP.

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