”A nossa luta é pela inclusão dos fragilizados”, diz Tatiane Marchitto

Câmara de Vereadores votará projeto de proibição de fogos na segunda-feira.

Tatiane Marchitto, administradora do perfil Dhona Mima e

presidente da Associação de Proteção aos Animais Bem-Estar.

“A queima de fogos de artifício causa traumas irreversíveis aos animais, especialmente aqueles dotados de sensibilidade auditiva”, diz parte da justificativa do projeto de lei do presidente da Câmara de Vereadores de Francisco Beltrão, José Carlos Kniphoff (PDT). Ele assina o projeto que será votado segunda-feira, 2, na Câmara de Vereadores.

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“Em alguns casos, os cães se debatem presos às coleiras até à morte por asfixia. Os gatos sofrem severas alterações cardíacas com as explosões e os pássaros têm a saúde muito afetada”, acrescentou Kniphoff.

O projeto de lei não tem como objetivo acabar com os espetáculos e festejos realizados com fogos de artifícios, apenas visa proibir que sejam utilizados artefatos que causem barulho, estampido e explosões, causando risco à vida humana e dos animais.

O benefício do espetáculo dos fogos de artifício é visual e é conseguido com o uso de artigos pirotécnicos sem estampido.

Os cães que não estão habituados ao barulho ou sons intensos geralmente reagem mal aos fogos de artifício. Alguns cães mostram-se incomodados, mas outros podem mesmo desenvolver fobias e entrar em pânico.

Animais sofrem
“Nós apoiamos sim o projeto de lei. Os animais sofrem demais, eu mesma tenho cães que ficam enlouquecidos com o barulho dos fogos. Tive pessoa conhecida que o cão enfartou na virada de ano e tivemos que dar tranquilizante para os cães dos meus vizinhos, porque estavam se machucando no canil pra tentar fugir. Sabemos que outras cidades já aderiram aos fogos silenciosos, pro bem dos animais e das pessoas também”, diz Carla Werkhauser, da ONG Arca de Noé.

“O que mais incomoda penso que não seja só os fogos na hora da virada, claro, tem um estrondo maior, mas também o fato de ficarem jogando bombinhas e rojões dois, três dias antes, o tempo todo. Na véspera do Natal, mesmo, encontramos rojões que foram lançados no portão da ONG”, acrescenta.

Opinião semelhante tem a protetora Tatiane Marchitto, administradora do perfil Dhona Mima e presidente da Associação de Proteção aos Animais Bem-Estar: “Em geral, existe um senso comum alimentado sobre a questão dos fogos. A nossa luta é pela inclusão dos fragilizados, uma luta pelos autistas, que têm uma maior sensibilidade ao estrondo, por exemplo, uma luta pelos animais, que são auditivamente sensíveis”.

Ela destaca que o estrondo causa estresse, desencadeia crises de ansiedade e, em meio a estas agitações, pode provocar reações que colocam em risco a saúde dos sensibilizados.
“Como protetora, expresso aquilo que vivenciamos durante períodos de festividades, o caos promovido pelos estrondos. Algumas pessoas questionam, por ser apenas três, cinco minutos de fogos, mas este tempo é o bastante para causar agitação e situações de risco.”

Tatiane enfatiza: “Não somos contra o belo espetáculo dos fogos, mas somos a favor da inclusão dos vulneráveis. Fogos com menor potência trariam possivelmente mais tranquilidade às famílias com pessoas fragilizadas e também aos animais”, comparou.

Mais visibilidade
Para Gabriela Noimann, protetora dos animais, este projeto deveria ter mais divulgação e mais apoio do poder público.

“Acho que o vereador se preocupou com o bem-estar do próximo, não somente dos animais, como está sendo dito. Não é justo quando se vê famílias que tem que sair da cidade, tem que se afastar, porque o filho surta por causa do barulho.”

Ela afirma ainda: “Quando a gente levantou essa bandeira, realmente era por causa dos animais, mas muitas famílias procuraram a gente porque queriam também abraçar essa causa, ampliá-la. A partir do momento que começa a prejudicar pessoas ou animais, não importa se é minoria, já não é mais algo saudável”, desabafou Gabriela.

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