
alvo de queixas dos beltronenses, pode estar com os dias contados.
A aposentada Lurdes Lorini, 73 anos, precisou passar uma semana em repouso depois que um apressado motorista fechou a porta do ônibus enquanto ela ainda subia as escadas. “Pegou a minha perna e estourou minhas varizes. Fiquei sem poder caminhar. Eles ficam conversando besteira e não prestam atenção no que estão fazendo”, reclama ela sobre o trato de alguns condutores e cobradores do transporte público beltronense.
O respeito aos idosos e às normas de segurança, além de uma série de outras reivindicações dos usuários, como mais ônibus (acessíveis, com mais segurança e conforto), horários estendidos e novos pontos, poderiam ser atendidas na licitação lançada pela Prefeitura de Francisco Beltrão em junho deste ano. Poderiam, mas ainda não serão por falta de concorrentes e incapacidade técnica da única empresa que entregou proposta, a Guancino.
Abertura de envelopes
“Foi frustrado o processo licitatório. Acreditamos que haveria mais participação, mas só uma empresa entregou proposta para um dos lotes em disputa. Além disso, ela foi inabilitada na abertura do primeiro envelope, da documentação. Nem chegamos a abrir os envelopes de proposta de preços nem nada”, relata Saudi Mensor, secretário da Administração. Segundo o diretor do Departamento Municipal de Licitações, Fernando José Steimbach, parte da frota em desacordo com as normas brasileiras de regulamentação e espaço de garagem foram os dois principais quesitos que resultaram na inabilitação da Guancino.
A concorrência pública, do tipo melhor técnica e maior oferta pela outorga da concessão, dividia o transporte público em dois lotes: a Linha Norte/Sul, com valor mínimo de R$ 812.455,00, e a Leste/Oeste, de R$ R$ 970.515,00. “Mesmo contrário à avaliação de vários técnicos, a gente procurou manter o mesmo modelo que havia em respeito também à história de Francisco Beltrão e das empresas que fazem esse serviço há mais de década. Agora refaremos a concorrência com apenas um lote”, afirma Saudi. O novo edital será publicado dentro de 90 dias.
Reivindicações devem ser atendidas
O novo prazo para refazer a concorrência também servirá para incluir ainda mais melhorias no serviço solicitadas pela população. “A gente já ouviu mais pedidos, então acreditamos que dá pra avançar em busca de melhorias”, diz Saudi.
Várias delas beneficiarão a recepcionista Loeri Andretto, 29, moradora do bairro São Miguel. Ela trabalha na Policlínica São Vicente de Paula e todo dia perde o único ônibus que passa próximo dali às 13h30, seu horário de saída. “Poderia haver mais ônibus e com menor intervalo de tempo entre eles. O das 13h15 está sempre lotado, quase nunca dá pra passar a catraca e tem gente que fica na escada, o que é perigoso”, relata.
Fora o aperto, na opinião dela faltam ônibus acessíveis a deficientes físicos, além da sinalização precária dos assentos preferenciais para gestantes e idosos. Já a zeladora e balconista Carmem Pereira da Costa, 54, gostaria que os ônibus rodassem além do horário atual – a última parada é às 20h. “Poderia ir até as 23h. Trabalho na Água Branca e ontem perdi o último ônibus para o São Miguel”, conta.
De acordo com Saudi, algumas regiões, como os bairros São Miguel e Padre Ulrico, terão horário diferenciado. “Por exemplo, aquele que vai pros lados do São Miguel, até as 20 horas, vai ter linha de meia em meia hora; depois, haverá ônibus de uma em uma hora, que é o suficiente pra avaliação que se tem hoje do mercado. Da mesma forma na Cidade Norte. Será uma linha mais reta, sem passar em todos os pontos, mas ainda vai atender a população. A ideia é ter ônibus até a meia-noite”, antecipa.
Novos pontos em bairros novos também estão no planejamento. Quanto à acessibilidade, a empresa vencedora da licitação terá que colocar nas ruas uma frota totalmente acessível, conforme as normas regulamentadoras. O preço da passagem, considerado “salgadinho” pela Carmem, deverá ser reajustado, mas, inicialmente, segue a R$ 2,60.
Terminal e bilhete eletrônico
“Está sempre sujo, falta uma pintura, um cuidado maior da Prefeitura, mas também falta educação do povo”, reclama a zeladora e balconista Carmem Pereira da Costa, 54, sobre o terminal rodoviário urbano no centro da cidade, que é alvo de críticas não só pelo asseio, mas também pela localização truncada entre duas das principais vias do município.
Uma novidade prevista na próxima concessão do transporte público em Francisco Beltrão é a implantação do bilhete eletrônico e a instalação de pontos de transição entre diferentes linhas. “A ideia é colocar, no Centro, uma meia dúzia de pontos de ônibus maiores e mais preparados. Você vem da Cidade Norte e para nesse ponto aqui, mas você quer ir pro Vila Nova, então você vem nesse outro ponto e pega.
Haveria uma hora de tempo para você pegar o próximo ônibus com o mesmo bilhete, sem precisa mais parar no terminal”, explica Saudi Mensor, secretário da Administração. Com o tempo, dependendo da avaliação, o terminal pode até ser extinto.
Em fase de estudos, os novos pontos poderão ser construídos mais fechados, com maior proteção aos usuários, a exemplo das estações tubo de Curitiba. “Vai depender avaliação do fluxo de pessoas. Se houver um fluxo maior, esses pontos serão fechados. Também estamos estudando ônibus com entrada pelo lado esquerdo, em função da ciclo-faixa. Tudo está sendo estudado”, avisa Saudi.





