
A venda de pinhão em Beltrão, tradicional nesta época do ano, tem sido marcada por uma safra considerada fraca e preços mais altos. Quem percorre os pontos de comercialização percebe que o pacote de 1,2 kg está custando, em média, R$ 20 — valor acima dos anos anteriores, quando era possível encontrar o mesmo volume entre R$ 10 e R$ 12 em safras mais fartas.
Segundo os vendedores, o principal motivo da alta está na menor oferta do produto. O inverno de 2024 foi menos rigoroso e, como o fruto — típico do inverno — depende do frio para se desenvolver com qualidade, a safra atual veio mais reduzida.
Jean Gonçalves trabalha com a venda de pinhão há cinco anos. Radialista da Anawin FM — onde apresenta um programa musical com foco em música gaúcha e sertaneja — ele divide o tempo entre o rádio, a oficina mecânica e a comercialização sazonal do fruto. Neste ano, adquiriu cerca de 600 quilos e estima encerrar as vendas até quarta-feira da próxima semana. Depois disso, só em 2026. Jean conta que, para esta temporada, precisou buscar produto em Palmas, já que o fornecedor habitual, em Guarapuava, não teve produção suficiente.
A comercialização do pinhão na região dura, em média, três meses, começando em abril e seguindo até o início de julho. Em safras boas, ele chega a estender o período até setembro. Mas, neste ano, avalia que não compensa seguir comprando, já que a safra ruim deve encarecer ainda mais o produto. Jean vende em dois pontos fixos: ao lado da Afubra e em frente à Sadia, na BRF.
Embora a região de Francisco Beltrão tenha muitos pinheiros, Jean diz que a produção local é muito pequena. “Alguns moradores chegam a ter centenas de pés na propriedade, mas ainda assim compram o produto comigo. A colheita não é suficiente. Dizem que no passado dava muito pinhão por aqui, mas hoje a maior parte vendida no município vem de outras cidades do Paraná.”
Outro vendedor, Neri Medeiros, está em sua primeira temporada no comércio de pinhão. Aos 74 anos, ele conta que vê na atividade uma oportunidade compatível com sua realidade, por ser aposentado e já ter enfrentado problemas de saúde. Trabalha em parceria com um comerciante de Candói, que fornece o produto e mantém dois pontos de venda em Beltrão.
Neri relata que, mesmo com o pinhão vindo de áreas mais distantes, como Coronel Domingos Soares e Palmas, as vendas têm sido boas. Em dias de maior movimento, chega a vender até 80 pacotes — cada um pesando um pouco mais de um quilo — mas a média diária gira em torno de 45 a 50 pacotes.
A expectativa para 2026, segundo Jean, é mais otimista. O inverno de 2025 tem sido mais rigoroso, o que pode favorecer a formação de uma safra mais generosa no próximo ano.







