Brasileiro é apaixonado por futebol. Somos o único país pentacampeão da Copa do Mundo, temos o maior jogador de todos os tempos, o Pelé, que nos deixou recentemente, e tivemos o segundo presidente da Fifa mais longevo, João Havelange, que comandou a entidade por 24 anos. Quando ele assumiu, a Fifa era praticamente um grupo de amigos, mas transformou em business, trazendo muito dinheiro (e corrupção também!).
Coincide também com a vinda da televisão para as Copas do Mundo, afinal em 1970 já tivemos transmissão de tevê em cores. Foi Havelange que contratou Joseph Blatter, o sucessor que assumiu a presidência em 1998. Mas toda essa história está muito bem relatada na série “Os Esquemas da Fifa”, disponível na Netflix. Quem gosta de futebol, precisa assistir. Embrulha o estômago, pois evidencia a corrupção que existe no futebol. Mas também serve para nós brasileiros sabermos que a corrupção não existe só no nosso país, tem até em países ricos. Na verdade, esse é um defeito do ser humano, infelizmente, não tem a ver com nacionalidade.
Onde tem dinheiro fácil, há um campo aberto para o “caixa 2”. É claro que esse seriado é um ponto de vista muito norte-americano da Fifa. Os Estados Unidos ainda não admitem perder a sede da Copa do Mundo para o Qatar. A Inglaterra, que inventou o futebol e que teve três presidentes da Fifa, não admite ter perdido a sede da competição para a Rússia. E por aí vai a discussão, que envolve propinas para receber votos de cartolas corruptos e, no fim, todo mundo tem um dedinho de culpa nessa história.
Mas é importante conhecer “Os Esquemas da Fifa” porque a gente só lembra de assistir aos jogos e esquece dos bastidores. E é nessa esfera que o futuro da modalidade se resolve. A crise da Fifa, que começou em 2015 com a suspensão do suíço Joseph Blatter e contou com investigação até mesmo do FBI, foi importante para a modalidade. Parece que hoje a Fifa está mais moralizada. Mas não acredito muito que tenha sido resolvido. Pelo menos, agora os cartolas têm medo de serem presos, como aconteceu com José Maria Marin (ex-presidente da CBF), que viu o sol nascer quadrado de dezembro de 2017 a março de 2020 e só foi solto por questões “humanitárias”.







