
Esses dias, meu padrinho de batismo, o jornalista Luiz Carlos Baggio, postou uma foto da equipe esportiva da Rádio Educadora no início dos anos 1990. Era um timaço, com os seguintes nomes: Luiz Carlos Baggio, Laurentino Risso, Nery de Mello (Parangolé), João Sanczkoski, Claudiney Del Cielo e Itamar José.
Me criei ouvindo essas feras do rádio beltronense, numa época em que não havia internet e ninguém transmitia em vídeo os jogos do Francisco Beltrão FC. Foram os áureos tempos do rádio em Francisco Beltrão. Eu e meu compadre Alexandre Baggio, filho do Luiz, acompanhamos os bastidores de muitas transmissões.
Essa equipe da “Era de Ouro do Rádio” viajava com uma Belina que, quando você abria a porta no acostamento, derrubava um ciclista do outro lado da rua, de tão grande que era a porta. Eles foram muitas vezes a Porto Alegre transmitir jogos do Grêmio e Inter.
Mais tarde, quando começou a tv por assinatura (Sky), eles começaram a fazer tubo, mas todo mundo achava que essa equipe estava transmitindo do estádio. Lembro que, quando o jogo era no domingo, o Baggio cuidava pra não aparecer na rua no sábado e nem na segunda, pra todo mundo achar que eles estavam viajando.
“No Beira-Rio, o tempo tá estranho, meio faz chuva, meio faz sol”, essa é a frase que nunca vou esquecer de Luiz Carlos Baggio, dando aquele “migué” pro ouvinte achar que ele estava no estádio. Na verdade, eles não mentiam que estavam in loco, só não precisavam dizer com todas as letras que não estavam.
Mais tarde esse tipo de transmissão ficou mais comum e todo mundo passou a fazer tubo. Hoje, com as transmissões da Ação TV, nenhuma das rádios viaja mais para transmitir jogos fora de casa, todos fazem narração e comentários direto do estúdio. Não é necessário correr riscos nas estradas de madrugada, se o sinal de internet chega com qualidade.
Lembro muitas vezes das viagens longas para transmitir um jogo. Aí já mais tarde, quando eu fazia parte das equipes esportivas da Onda Sul ou da Educadora, a gente ia pra Curitiba e voltava no mesmo dia. Teve uma quarta-feira que eu e o Baggio fomos a Paranavaí transmitir o Marreco. Na volta, o sono tomou conta. Tivemos que parar o carro e começar a correr, atravessando a estrada de um lado para o outro, perto de Realeza, por volta das 5 horas da madrugada.
Aí fico pensando: quanto essa equipe esportiva da Educadora da década de 1990 se aventurou e se arriscou nas estradas pra trazer uma transmissão de qualidade para o ouvinte? Quantos finais de semana eles passaram longe de suas famílias, sem ver os filhos crescerem, para trazer uma entrevista exclusiva de um jogador famoso para sua emissora?
Isso só tem uma definição: amor à profissão! Não há razão numa equipe esportiva, a emoção sempre prevalece, seja durante a transmissão ou nos bastidores. Lembro de fazer viagens longas para transmitir o Marreco, o time levar um taco e ter que voltar 500 quilômetros lamentando na estrada. Quando ganhava era uma alegria, a volta pra casa passava num instante, todos comentando as jogadas dentro do carro, cortando as estradas do nosso ‘Paranazão’.
Lembre desses nomes, pessoas assim estão cada vez mais escassas, merecem todo o nosso reconhecimento. São apaixonados pela profissão e pelo rádio, pela arte de se emocionar ao vivo, deixar uma lágrima escorrer pelo rosto após um gol d







