O ponto G das Americanas

“A cultura come a estratégia no café da manhã” (Peter Drucker – guru de gestão) Não adianta implementar regulamentação e um processo robusto de compliance, se não houver uma cultura de integridade. A cultura empresarial dita a forma como os funcionários enxergam uma organização. Quando a cultura é forte, a empresa adquire uma série de vantagens competitivas, partindo de posturas e valores enraizados em cada componente de suas equipes.

Assim, existe uma trajetória coerente, que impacta nas atitudes de todos e contribui para o crescimento em conjunto. A empresa Americanas S.A., constituída em 1929, em Niterói, há 94 anos, tem o seu escândalo de cultura colocado à prova neste inicio de 2023. São mais de 20 bilhões de dólares que caíram no esquecimento dos gestores, e de nenhuma forma foi considerada pela PwC, auditora das Americanas desde 2019, em que aprovou as contas em 2021 sem ressalvas.

Americanas nasceu com a missão de dar oportunidade de compra aos “esquecidos”. Desejavam oferecer maior variedade de produtos com preços acessíveis.  Na década de 40, Lojas Americanas tornou-se uma sociedade anônima, abrindo assim o seu capital. Neste caso, quando se traz a tragédia financeira da empresa, chegamos ao ponto G do ESG, que é a governança da empresa, em que um dos pilares é a transparência, em todas as áreas da empresa, como não somente no social e meio ambiente, mas também na economia, governança e gestão.

- Publicidade -

Assustador é, pois a Americanas é parte dos principais índices de ESG do país: está listada no novo mercado, faz parte do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) e do DJSI (Down Jones Sustentability Index). Impacto no ESG, a pergunta que não quer calar: se isso acontece na governança de indicadores financeiros, que são altamente regulados e seguem um padrão — tanto nos balanços quanto na listagem na Bolsa e nos processos dos auditores —, como será a governança dos indicadores sociais e ambientais? “O sistema criado por nós não valoriza a dignidade humana e um meio ambiente intacto. Cabe a nós mudar o sistema.

Que pelo menos paremos de fingir ser surpreendidos quando surgir o próximo caso como o da Americanas”,  Heiko H. Spitzeck, diretor do Núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral. Como pode tal empresa como as Lojas Americanas, tão presente e imponente em nosso país, representando robustos índices na carteira ESG, estar com padrões tão falhos e desproporcionais ao que se apresenta em seus relatórios? Estamos nos deparando com uma possível “fraude” de cultura e informação que nos foi vendida ao longo de tantos anos? Greenwashing talvez? “Se realmente queremos resultados diferentes, questões de ESG precisam entrar na governança, por duas razões: Em primeiro lugar, para garantir a integridade do negócio e evitar crises como a da Americanas; em segundo lugar, porque o sucesso de uma empresa no século 21 não se define apenas pelos resultados financeiros.

Algumas decisões não trazem para o desempenho financeiro de curto prazo, mas fortalecem o bem-estar dos colaboradores ou da comunidade, ou então reduzem impactos ambientai negativos, fatores determinantes para a longevidade da organização”, Heiko H. Spitzeck.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Destaques