Existiu um slogan de uma campanha sensacional da Coca-Cola que dizia que “os bons são maioria”. Foi um dos motes publicitários mais lindos que já vi, principalmente porque realmente faz sentido na nossa vida.
Na última semana estive lendo um texto do jornalista Jamil Chade, em seu blog no UOL, onde, inicialmente, falava sobre o atentado terrorista na Nova Zelândia, quando os muçulmanos foram as vítimas da vez. Porém, pegando esse episódio como um gancho e, ainda, se baseando em muitos outros da mesma natureza, chegamos à conclusão mais básica e assustadora: tudo surge de um dos sentimentos mais presentes na sociedade moderna… o ódio. São justamente esses acontecimentos que sempre nos abrem os olhos para discutir o assunto de uma forma mais geral, não como um fato isolado, mas sim como um sentimento que toma conta de vários grupos e pessoas nos mais diferentes contextos. A partir disso, o que eu mais temia aconteceu. O ódio também tomou conta de um dos maiores mecanismos de liberdade que existem: a comunicação. Tomou conta no sentido de se tornar artifício, de ser um argumento, uma justificativa invisível para, muitas vezes, chegar aos níveis mais baixos de diálogo e de violência, que pode até começar como verbal ou escrita, mas que em muitas situações chega também ao patamar físico, como já presenciamos por diversas vezes, principalmente nesses últimos tempos, tão turbulentos. Algumas vezes já me perguntei qual seria o limite do meu trabalho na comunicação, até onde eu iria. Uma das barreiras, sem dúvida, seria precisar se utilizar da propagação de mensagens odiosas. Jamais. Tudo, em excesso, faz mal. Todo radicalismo é ruim. De todos os lados e de todos os jeitos… político, religioso, futebolístico e em todos os outros campos de discussão, tudo precisa de um limite. Existiu um slogan de uma campanha sensacional da Coca-Cola que dizia que “os bons são maioria”. Foi um dos motes publicitários mais lindos que já vi, principalmente porque realmente faz sentido na nossa vida. Afinal, mesmo com todos os problemas, a maioria da população é do bem. E os radicais – ainda bem – são minoria na nossa sociedade. Porém, nos últimos anos, ocorreu um visível aumento das personalidades extremas devido, sobretudo, às cadeias infinitas das mensagens odiosas nas redes sociais, onde cada nova incitação de uma publicação joga um pouco de gasolina em um fogo que cresce e se alastra, mexendo com as consciências mais fracas e provocando as piores consequências. É um efeito “transmídia” – algo que tanto falo – mas voltado para o mal. Assim, muitas vezes, a raiva sai do virtual e aterroriza a vida real. O grande perigo e a grande tristeza é a de que, sim, isso também é comunicação. O relacionamento entre as pessoas, os debates, a expressão de posicionamentos. Tudo faz parte do ato de se comunicar. E o pior de tudo: algumas personalidades influentes usam suas redes poderosas para disseminar esse ódio e ativar um exército raivoso. Mas, na terra praticamente sem leis que é a internet, os limites não existem mais. É aí que mora o problema.




