Os herdeiros da família precisam urgentemente deixar o confronto com a imprensa de lado, entender e se acostumar com tudo que faz parte do jogo quando se está numa posição de tal magnitude e começar a falar sério.
Ser pai ou ser presidente, eis a questão. Até agora, os principais problemas que o governo Bolsonaro enfrentou tiveram alguma relação com um de seus herdeiros. O “caso Queiroz”, envolvendo o ex-motorista do filho deputado (e senador eleito) Flávio Bolsonaro, provavelmente foi o que mais repercutiu, estando presente na grande mídia quase que diariamente. A influência que o laço familiar tem e ainda deve ter em muitas decisões importantes da gestão é inegável. Mas, afinal, isso é bom ou ruim? Ao que tudo indica, aos olhos do presidente, a presença constante dos filhos é extremamente natural e benéfica. O problema é que, talvez, seja na visão apenas dele mesmo. De acordo com o jornalista Bernardo Mello Franco, na sua coluna em O Globo, o núcleo forte do governo – incluindo o vice-presidente Hamilton Mourão – não tem se demonstrado muito favorável a essa ideia, sugerindo inclusive que Bolsonaro separasse os sentimentos e afastasse, pelo menos parcialmente, os filhos das questões presidenciais a fim de preservar a imagem da administração, que pode ser arranhada por situações ocorridas com os descendentes, como foi com o caso de Flávio. Mas a resposta, ao menos neste momento, foi um firme “não”. O coração de pai ainda bate mais forte. Além disso, o presidente realmente conserva uma confiança enorme em Flávio, Carlos e Eduardo – os três que seguem carreira política – em relação a vários assuntos. Inclusive, Carlos – que é vereador pelo Rio de Janeiro – é muito ativo nos meios de comunicação digital, sendo responsável por várias publicações nas contas oficiais do pai. Entre participações em reuniões importantes (apesar de não contribuir efetivamente, estando apenas de corpo presente) e viagens ao exterior como chanceler informal do governo, os irmãos Bolsonaro vão sustentando seu espaço. Porém, minha reflexão diz que, além do midiático caso do motorista, o próprio comportamento diário e, sobretudo, a postura dos filhos do presidente podem criar problemas e distorções que poderiam ser evitadas. O fato de viver dentro de uma eterna disputa ideológica já satura todo e qualquer observador de suas manifestações. Longe de ser uma simples crítica, mas sim algo muito mais valioso: um verdadeiro conselho. Os herdeiros da família precisam urgentemente deixar o confronto com a imprensa de lado, entender e se acostumar com tudo que faz parte do jogo quando se está numa posição de tal magnitude e começar a falar sério, demonstrando que foram muito bem votados porque podem realmente melhorar a vida das pessoas com trabalho concreto, deixando de viver dentro dos livros de história, onde tudo que mais importava se resumia em direita e esquerda. O Brasil precisa de soluções e somente o pragmatismo de cada um fazendo a sua parte, conforme o que foi designado, pode realmente ajudar nisso. Menos “picuinhas” e mais resultados, é disso que precisamos.




