Quando a primeira temporada de Andor (Disney+) foi ao ar tive a certeza de que era a melhor série do universo Star Wars, por mais que goste de O Mandaloriano. Agora, com a segunda temporada não me resta dúvida de que é a história mais bem contada de Star Wars, incluindo os filmes.
Comparar com outras produções como O Livro de Boba Fett, Obi-Wan Kenobi e The Acolyte chega ser crueldade. Essa última é uma piada de ruim e só os efeitos visuais se salvam. Mas, mexer com a trilogia original é complicado pois temos uma memória afetiva envolvida.
Porém, olhando friamente para a forma como as tramas são contadas não consigo deixar de pensar que Andor tem um roteiro melhor escrito, personagens melhor desenvolvidos — sejam eles mulheres, homens, bons ou maus — e uma profundidade nunca antes alcançada nas space operas de George Lucas.
Trazer a narrativa dos heróis escolhidos para as pessoas comuns coloca nossa visão onde estaríamos se vivêssemos em Coruscant ou Ghorman. Tirar o foco das altas torres e descer para as praças deu espaço para a revelação de vários personagens legais, que conquistaram meu respeito pela forma como foram apresentados e representados, sendo eles rebeldes ou imperiais.
Vários atores e atrizes se destacam. Além de Diego Luna (o protanogista Cassian), temos Denise Gough como Dedra, Stellan Skarsgard como Luthen, Elizabeth Dulau como Kleya, Kyle Soller com Syril e Genevieve O’Reilly com Mon Mothma. E o principal culpado disso é Tony Gilroy que escreveu a franquia Bourne, Rogue One e o premiado Conduta de Risco.
A trama não tem o ritmo de um filme do 007 e embora tenha várias cenas de ação tem episódios mais lentos, focados em trabalhar a relação de gato e rato dos personagens, dando a eles camadas e bons diálogos.
Essa é uma série madura para fãs maduros de Star Wars e com um timing perfeito: podemos maratonar Andor, Rogue One e Uma Nova Esperança, pois o final de um é o começo do outro.




