
A primeira banda de rock em minha vida foi Nazareth. Um surrado LP “No Mean City” perdido na coleção de música gauchesca, Roberto Carlos e Ray Conniff do meu tio, e ouvido num lindo Sharp SG-220 3 em 1, nos idos dos anos 80.
Os anos 90 já não eram novidade quando meu irmão chegou em casa, num sábado, trazendo dois CDs: “Who Made Who” do AC/DC e “Chronicle – Volume 2” do Creedence Clearwater Revival. Isso diz muito sobre meu gosto musical, que mudou um pouco ao longo das décadas, mas manteve inalterada a influência dessas bandas. Por isso fiquei muito feliz ao ver o documentário “Travelin’ Band: Creedence Clearwater Revival at the Royal Albert Hall”, na Netflix.
A primeira parte é um rápido relato do início e histórico da banda, que teve dois outros nomes e fez relativo sucesso com canções covers, antes de dar voadora em lustre com “Proud Mary”, em 1969. Em 1970, eles fazem uma turnê pela Europa e chegam à Inglaterra, logo depois dos Beetles se separarem, assumindo o posto de principal banda do mundo no momento.
É esse show, no Royal Albert Hall, que vemos na segunda parte do documentário. A imagem é meio ruim para os padrões Full HD de hoje, não há luzes ou balões cintilando pelo local como faria Pink Floyd, mas essa apresentação crua é muito legal e reveladora. Como é uma banda de vida curta (acabou já em 1972) não existe tanto material assim.
A narração de Jeff Bridges e as imagens inéditas mostram jovens afetados pelo sucesso meteórico e um John Fogerty visivelmente destoante da banda. A sequência da história, que a produção não mostra, é que John era o verdadeiro talento lá dentro e quando houve disputa por poder ele tinha razão, a despeito de certa arrogância.
Sua prolífica e longeva carreira solo prova isso, ao passo que Doug Clifford e Stu Cook ressuscitaram como Creedence Clearwater Revisited no final dos anos 90, vivendo só dos sucessos passados. Tom Fogerty faleceu antes disso.







