Desigualdade e a distância cada vez maior

Os milionários nem sempre são os mesmos e o pobres também não.

- Publicidade -

Não é novidade que a desigualdade está aumentando, mas em decorrência da pandemia a discrepância aumentou consideravelmente. De acordo com o relatório “desigualdade mata”, da Oxfam Brasil, a riqueza dos bilionários aumentou mais neste período do que nos últimos anos. Para se ter uma ideia, os dez homens mais ricos do mundo têm uma riqueza equivalente à de 3,1 bilhões de pessoas mais carentes. Outro dado é que o Brasil teve dez novos bilionários e este grupo aumentou sua riqueza em 30%, enquanto 90% da população teve redução entre 2019 e 2021.

Por mais que muitos não enxerguem isso, enquanto eram impostos lockdowns desvairados, pessoas detidas por andar na rua sem máscaras e normas ineficazes que levaram a perda de renda e emprego, alguém ganhou durante a pandemia e não foi pouco. Apesar destes dados, os governos não conseguiram aumentar os impostos sobre os mais ricos e, de maneira geral, incentivaram monopólios, em especial na área de saúde e a ciência das vacinas.

Mas embora a desigualdade e pobreza apareçam juntas em análises e textos, elas não são as mesmas coisas, isso porque se tivéssemos um país onde toda população fosse pobre, sem acesso à saúde, educação e saneamento, poderíamos dizer que há uma condição de igualdade. Ao contrário, se toda população for abastada, da mesma forma haverá igualdade, portanto, a desigualdade é a distância entre ricos e pobres, e, por vezes, o fato de uma pessoa estar mais rica não significa que deixou alguém mais pobre. Ademais, os milionários nem sempre são os mesmos e o pobres também não. Em alguns países há uma mobilidade grande de pessoas que não ficam estagnadas e conseguem evoluir sua posição financeira, ao passo que alguns negócios mal administrados levam empresários à falência, trocando a lista dos mais ricos nas revistas sobre o tema.

Entra em cena o mérito, ou seja, o esforço que determinada pessoa realizou para conquistar seus sonhos. Contudo, a meritocracia pode funcionar em alguns ambientes, mas na maioria não. Situações em que a meritocracia funciona, a recompensa pelo esforço, pela ideia, pela inovação pode trazer aumento de riqueza. O problema é quando se confunde meritocracia com histórico do indivíduo. Uma pessoa que estudou nos melhores colégios, teve aulas de reforço particulares no contraturno e idiomas, pode ser esforçada, mas seu histórico faz muita diferença quando comparado com mesmo esforço de alguém que não teve as mesmas condições no passado. Por mais que os esforços e a energia empregada sejam as mesmas, o resultado pode não ser. Aquele que saiu na frente, numa entrevista de emprego, pode achar que é mérito seu, quando no fundo não é, pois, diversos fatores biológicos, sociológicos e étnicos são exemplos de variáveis que interferem no resultado, mesmo que inconscientemente.

Uma coisa interessante é o da responsabilidade. Muitos indivíduos administram os recursos que possuem, sejam eles poucos ou muitos, de forma irresponsável. Sendo assim, é necessário que nos preocupemos em sermos responsáveis, pois as variáveis que ocasionam a desigualdade são tantas, que devemos ser responsáveis com os recursos que temos hoje, pensando no amanhã.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Destaques