Rodrigo Parmalat: “Nunca tive a oportunidade de jogar pelo Beltrão FC”

Rodrigo Parmalat: “Nunca tive a oportunidade de jogar pelo Beltrão FC”

Rodrigo Parmalat jogou o Varzeano pelo Industrial.

Na década de 90, a empresa italiana Parmalat impulsionou as vendas de seus produtos alimentícios no Brasil graças à forte divulgação nos meios de comunicação. Times brasileiros como o Juventude, do Rio Grande do Sul, e o Palmeiras, de São Paulo, estampavam a marca em seus uniformes. O time paulista era ‘quase’ insuperável nessa época, isso porque conquistou vários campeonatos estaduais e brasileiros, além de competições internacionais. Já o clube gaúcho levou pra casa a Copa do Brasil em 1999.

O apelido que virou nome

E em Francisco Beltrão, um atleta levava (e leva até hoje) o apelido de Parmalat por todo lugar que ia. Se perguntarem pelo Rodrigo, poucos o conhecem. “Eu morava no bairro Cango e minha avó morava no bairro Cantelmo. Ela ficou doente e fomos cuidar dela. Recém-chegado no bairro, fui jogar bola com a camisa do meu time, o Palmeiras, que tinha escrito o nome Parmalat na camisa. Só usava ela. Como ninguém me conhecia, me chamavam por Parmalat e aí ficou o apelido”, conta Rodrigo.

Sonho com a camisa do Beltrão

Nascido em plena Copa do Mundo de 1986, o beltronense Parmalat, de 27 anos, ainda sonha em defender as cores do Francisco Beltrão FC. Porém, não esconde uma decepção. “Joguei em 2005 no Juniores do clube ao lado do Neto (hoje no Santos), Baby e Tião. Era um bom time, treinado pelo Tadeu Martins, pai do Diego Tardelli do Atlético Mineiro. Terminou o Campeonato Paranaense e a diretoria iniciou a contratação de alguns atacantes para a próxima competição. Eu estava bem fisicamente, querendo jogar. Para minha surpresa, antes de começar mais um campeonato, fui conversar com o Tadeu e ele me disse que eu nem estava inscrito pra disputar o campeonato. Peguei minhas coisas e fui pra casa, decepcionado”, lembra Parmalat.

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A queda do time e o desejo de voltar

Coincidência ou não, o time sucumbiu no ano seguinte para a segunda divisão estadual. Contudo, o beltronense faz uma revelação: “Apesar da idade, gostaria de disputar uma competição pelo Beltrão. A torcida gosta de ir ao estádio para ver também jogadores de sua cidade em campo”.

Dois atletas em um

“Tem uma história boa. Eu treinava numa escolinha do professor Zelamir aqui em Beltrão e fomos disputar um amistoso em Itapejara D’Oeste, do treinador Papico, descobridor do goleiro Taffarel. Joguei como atacante e fiz vários gols. Depois de algumas semanas, contra esse mesmo time, joguei de goleiro para o time do Papico, pois estava faltando jogador pra essa posição. Fechei o gol. O Papico não perdeu tempo e ligou pra diretoria do time juvenil do Chapecoense dizendo que tinha dois bons atletas, um goleiro e um atacante. O Papico conversou com o Zelamir dizendo que precisava dos atletas pra levar a Chapecó. Foi então que descobriram que na verdade era somente um atleta e não dois”, sorriu Parmalat, que optou por continuar empurrando a bola para o fundo das redes.

Futebol e família

Conciliar a profissão com a paixão pelo futebol pode não ser uma tarefa fácil. Jogar aos domingos e deixar a família em casa requer uma recompensa financeira. “Tem jogadores que não precisam ser pagos. No meu caso, como tenho família, fica difícil não receber nada pra jogar, correndo o risco de se machucar. Mas graças a Deus joguei em equipes comandadas pelo Altamiro Dias, o Fio, pelo Míssio (Ademilson Arendt) e também no Pinheiros e sempre tive assistência”, destaca Parmalat. Ele conta que os valores geralmente são pagos por jogo ou por pacote para o campeonato. “Só tem que ter a palavra que vai cumprir com a obrigação de entrar em campo”, explica.

Quase no Beira-Rio

Em 2004, um empresário levou Parmalat para tentar um acordo com o clube gaúcho. “A diretoria queria fechar um contrato, mas na hora de definir os valores, o acordo não aconteceu. Meu empresário pediu um valor que o Internacional não queria pagar. Lembro que disseram que todo ano passa milhares de piá bom de bola e que não iriam mais acertar nada. Se o empresário tivesse aceitado a proposta, mesmo que por um valor menor, teria assinado com o Inter.”

Questionado sobre seus pontos fortes em campo, Parmalat anota: jogador destro, bom cabeceador, força física e velocidade. A habilidade foi descartada pelo atleta amador.

No currículo

  • Jogou em equipes de Santa Catarina (Concórdia e Chapecoense), e Rio Grande do Sul (CA Rio Pardo e Sapucaiense, todas pela segunda divisão estadual).
  • No Regional de Amadores, foi campeão com o Pinheiros Beltronense.
  • Em 2013 disputou o Varzeano de Beltrão pelo Industrial após ficar dez meses sem jogar após lesão num dos joelhos. Ele agradeceu o apoio dado pelo fisioterapeuta Camilo Rafagnin em sua recuperação.
  • Em 2012 foi campeão do Amador em São José do Cedro (SC) – marcou 15 gols na competição. Esse ano continuará atuando no futebol catarinense com os amigos Adriano e Wilson. “Pagam bem. R$ 300 mais o combustível.”

Um detalhe curioso é que, quando Parmalat jogou no Rio Pardo, o clube fazia 30 anos que não disputava nenhuma competição. Saiu das cinzas em 2010. “Ficaram me devendo salários, mas depois me pagaram”, diz Parmalat.

 

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