Além da pauta legislativa, o grupo debateu ações complementares essenciais para a sustentabilidade do setor, incluindo campanhas de incentivo ao consumo de leite nacional e medidas estruturantes para equilibrar o mercado.

A mobilização em defesa do produtor de leite brasileiro alcançou um novo patamar com uma reunião estratégica em Curitiba, que consolidou os próximos passos de uma ofensiva nacional. Liderada pelo deputado estadual Luis Corti (PSB), autor da pioneira lei nº 22.765 no Paraná, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado, o encontro reuniu representantes das principais entidades do setor para alinhar ações conjuntas diante da persistente crise que afeta a cadeia leiteira em todo o país.
O movimento, que começou a ganhar tração em diversos estados, busca replicar o sucesso da legislação paranaense.
Em apenas um mês após sua entrada em vigor, dados do Deral do Paraná indicam uma redução de 50% na importação de leite em pó no estado, demonstrando a eficácia da medida em proteger o mercado local. Este resultado inspirou um verdadeiro “efeito dominó” legislativo em outras regiões do Brasil.
Um cenário em transformação
O Paraná não está sozinho nesta batalha. Goiás, por exemplo, sancionou uma lei em dezembro de 2025, proibindo a reconstituição de leite em pó importado para comercialização como leite fluido, com multas significativas para os infratores.
Em Santa Catarina, um projeto de lei semelhante foi aprovado na Assembleia Legislativa.
Da mesma forma, Rondônia também aprovou legislação para proibir a reconstituição de leite em pó importado para consumo alimentar. Há ainda um projeto em tramitação em Minas Gerais com o mesmo objetivo, e um projeto de lei na Câmara dos Deputados que busca estender essa proibição a todo o território nacional.
“Articulação nacional é crucial”, diz Corti
Para Luis Corti, “a articulação nacional é crucial”. “O Paraná fez sua parte e os números mostram que a lei funciona. Mas enquanto essa prática continuar liberada em outros estados, o produtor seguirá sofrendo. O problema é nacional e a resposta precisa ser nacional, garantindo a valorização do nosso produto e a segurança alimentar do consumidor”, afirmou o deputado, ressaltando a importância de uma ação coordenada para proteger a produção nacional e assegurar a qualidade do produto final para o consumidor.
Nesse contexto de avanço legislativo, São Paulo emerge como o principal foco da articulação. O estado é responsável por aproximadamente 32% de todo o leite em pó importado pelo Brasil, exercendo uma influência substancial sobre o mercado nacional.
São Paulo, o próximo grande passo
Luis Corti confirmou que visitará São Paulo nos próximos dias para discutir diretamente o tema com lideranças políticas e representantes do setor produtivo. A agenda conta com o apoio institucional do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), e do governador Ratinho Junior (PSD), sublinhando a relevância da iniciativa.
“Reduzir pela metade a importação em apenas um mês mostra que estamos no caminho certo. Agora precisamos acelerar esse processo em estados estratégicos como São Paulo para que o ajuste chegue de fato ao preço pago ao produtor e para que o consumidor tenha acesso a um produto de maior qualidade e procedência conhecida”, destacou o deputado.
Além da pauta legislativa, o grupo debateu ações complementares essenciais para a sustentabilidade do setor, incluindo campanhas de incentivo ao consumo de leite nacional e medidas estruturantes para equilibrar o mercado, visando garantir renda, previsibilidade e dignidade aos produtores rurais.
Em apenas um mês após sua entrada em vigor, dados do Deral do Paraná indicam uma redução de 50% na importação de leite em pó no estado, demonstrando a eficácia da medida em proteger o mercado local. Este resultado inspirou um verdadeiro “efeito dominó” legislativo em outras regiões do Brasil.







