Em 16 de agosto é comemorado Dia do Filósofo.

Airton Carlos Batistela, professor da Unioeste, é graduado em filosofia, mestre e doutor em educação.
Foto: Arquivo pessoal
A filosofia contribui para pensarmos melhor. “Ora, a filosofia é um olhar sistemático, metódico e programado sobre as razões das coisas. As ciências em geral lidam com os ‘comos’; a filosofia é capaz de se debruçar sobre os ‘porquês’, as ‘razões’.” Esta é a definição do filósofo Mário Sérgio Cortella, no livro “Pensar bem nos faz bem!”, volume 1.
Ele acrescenta que a filosofia não tem aplicabilidade imediata, mas “serve para que, ao questionarmos sobre as razões daquilo que fazemos, pensamos e olhamos, ela nos ajude a não ter uma vida automática, marcada por um pensamento pouco crítico, ou até por uma alienação em relação ao mundo objetivo”.
Para o professor Nestor Luiz Morgan, autor do livro “Filosofia para o século XXI”, é uma maneira de ver e viver o mundo com humildade, discernimento, alteridade, ética, enfim, todos os pequenos degraus que nos levam a Sofia, à sabedoria. “A filosofia é se preocupar, é se ocupar com a ontologia, com o estudo do ser.”
Airton Carlos Batistela, professor doutor da Unioeste, membro do grupo de pesquisa “Sociedade, Trabalho e Educação” e do colegiado do curso de Direito, ao ser questionado sobre o que é filosofia, responde: “Ao nos fazermos essa pergunta, tocamos e adentramos num tema vasto, indeterminado e aberto, como entende o próprio Heidegger. É por isso mesmo que podemos responder de formas muito variadas. Por princípio, é preciso entender que a filosofia é uma das mais profundas e grandiosas criações do espírito humano, por ser, por certo, um esforço humano por interpretar o mundo e a realidade que nos cerca, que estamos vivendo”.
Desta forma, de acordo com professor Batistela, o homem comum, ligado ao mundo da prática e da cotidianidade, também formula suas interrogações, busca respostas como fazem os filósofos por excelência, mas o empreendem de maneira descontínua, sem método e de forma desordenada. “O filósofo, pelo contrário, dedica suas pesquisas, energias, tempo e vida às grandes questões que busca compreender. Desnuda a realidade e suas possibilidades nas mais profundas instâncias de análise e com uma reflexão rigorosa, criteriosa e sistemática.”
Professor Batistela ressalta: “Por fim, penso ser importante entender que a filosofia não pode ser uma prática reflexiva desenraizada (fora do mundo que vivemos) e, por isso mesmo, não é apartada da cultura, da economia, da política, da educação, da ciência, etc., mesmo que isto exija a contestação do óbvio”.
Qual é a relevância da Filosofia?
Por Leandra Francischett
Para Nestor Morgan, consiste em ser uma forma de conhecimento, em que, aonde as outras formas de conhecimento pararam, a Filosofia continua se questionando. “A sua preocupação em conhecer o ser que está no ente, que vai além das aparências do que nós vemos, do que os sentidos nos apresentam, ou que os próprios objetos se apresentam para nós. Para Platão, essa relevância seria chegar ao mundo das ideias; para Aristóteles, ele descobre que a relevância da filosofia é desenvolver o intelecto, esse conhecimento vem através do intelecto pela porta da frente, que é absolutamente exterior, ou seja, o conhecimento está nos objetos. A coragem do finito, que somos nós, querendo explicar a dimensão do infinito. Talvez seja essa maior relevância da filosofia, isso nós encontramos bem claro na obra ‘Totalidade é infinito’, de Emmanuel Levinas.”
Professor Batistela afirma: “Ao se falar da relevância da Filosofia, quero trazer primeiro a sua raiz maternal grega, que foi, e é, a de trazer ao homem o desejo do conhecimento de si próprio, fazer refletir sobre a sua posição no universo, sempre buscando a verdade. Em uma edição de agosto de 2020, do Jornal Le Monde Diplomatique, Igor Ferreira Fontes diz que ‘há algum tempo vem-se dizendo no Brasil que a filosofia e as artes não servem para nada e deveriam ser negligenciadas; contudo, se prestarmos atenção, é justamente a esses saberes que estamos recorrendo nesse período’ de pandemia”.
Ele destaca que, além da sua relevância histórica, como embrião do conhecimento, da ciência, do mundo, a filosofia cobra hoje algumas respostas, como: “Eu tenho vivido a minha vida ou tentado viver a vida de outrem? Eu tenho aproveitado o meu tempo disponível para fazer coisas que me agradam e me fazem bem ou passo o meu tempo me lamentando e destruindo minha saúde? Eu tenho levado uma vida prazerosa ou estou sempre sob estresse e angústia? A quem eu tenho dado maior prioridade no meu tempo? Quem são as pessoas que eu quero perto de mim e por que? A vida que eu tinha antes da quarentena é a mesma que eu quero ter depois? “As possíveis respostas a isto nos mostrarão a relevância da Filosofia”.
O professor Nestor completa que a Filosofia produz inúmeras formas de ver o mundo. “Aonde as outras formas de conhecimento, as primitivas como o mito, o misticismo, a teologia, a razão, aonde essas formas de conhecimento chegaram ou pararam, muitas vezes, a filosofia sempre busca dar um passo a mais.”




