Amor e paciência, palavras-chave no cuidado de pacientes portadores da doença de Alzheimer

Amor e paciência, palavras-chave no cuidado de pacientes portadores da doença de Alzheimer

Irica Camargo é cuidadora de uma idosa de
90 anos que tem Alzheimer.

O sentimento de compaixão é o grande combustível para o trabalho de Irica Camargo, de 45 anos. Ela toma conta de uma idosa de 90 anos que é portadora da doença de Alzheimer. Há um ano e meio, o amor e a paciência têm sido as palavras-chave para o sucesso da função que desempenha. Uma habilidade que Irica descobriu só depois de aceitar o que inicialmente anunciava ser um árduo desafio.

“No início eu pensei que não ia conseguir. Eu achei que não ia aguentar nos primeiros dias. Mas hoje eu posso dizer que adotei a vó como minha mãe. Eu já não tenho mais pai, mãe e nem sogro e sogra, então ela se tornou uma mãe para mim”, conta Irica, que faz questão de demonstrar sua felicidade ao falar da idosa que, a pedido da família, terá sua identidade preservada.

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O trabalho de Irica é, de fato, completamente diferente de qualquer outro do mercado formal. Ela permanece na casa da família onde a senhora com Alzheimer vive durante 24 horas — folgando no dia seguinte. “Antes de eu começar a cuidar dela, teve outras pessoas que não quiseram. Mas eu fiz diferente, eu determinei tudo, fiz uma planilha de tudo o que a vozinha tem que fazer.”

Para contribuir com o exercício da memória, Irica pacientemente propõe uma variedade de atividades todos os dias. “Eu ajudo ela a escrever os números, todos os dias ela escreve o nome dos filhos; ela já nem lembra mais, mas eu dito e ela escreve; ela escreve o que ela faz durante o dia num diário, ela faz crochê, usa cremes, e eu não forço a nada. Tudo tem que ser do jeito dela”, relata.

Irica confessa que já pensou em deixar a profissão que descobriu por acaso, mas garante que o bom relacionamento com todos os membros da família são determinantes. “Os filhos dela gostam muito de mim. E eu também não vou trabalhar triste. Quando estou indo, vou com alegria, com aquela vontade de ajudar.”

Na rotina de um portador de Alzheimer, segundo Irica, é preciso estabelecer passeios e roteiros que desenvolvam desde a coordenação motora até a satisfação mental. “Eu levo ela para o salão, dou banho, faço a comida dela, converso com ela e falo que é importante comer fruta”, conta. “Também levo ela na missa, ela gosta muito de ir à igreja”, ressalta. “Às vezes ela acha que eu sou a filha dela. Mas daí eu digo que não, que eu sou uma companheira. Aí ela diz você não vai me abandonar? Eu digo não, vó, eu vou ficar aqui, vou cuidar da senhora”.

Segundo Patrícia Zapelini, fisioterapeuta pós-graduada em Geriatria e Gerontologia, o objetivo principal do tratamento de pacientes com mal de Alzheimer é retardar a evolução da doença. “Buscando dessa forma uma melhora da qualidade de vida.”

“Os pacientes acometidos por Mal de Alzheimer necessitam de uma reabilitação global, envolvendo uma equipe multidisciplinar, sendo a fisioterapia de fundamental importância na reabilitação motora, na obtenção da independência e também nas relações interpessoais”, pontua Patrícia.

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