O que vamos considerar como aprendizado, como ensinado? Sobre os conteúdos abordados, até que são apropriados? Esta realidade mostra um ano atípico, mas não exime nossa responsabilidade com a formação; muitos ajustes serão necessários.
A realidade, na qual estamos submetidos ao longo desses meses de pandemia do Covid19, nos coloca, enquanto professores, diante de questões que requerem reflexões de todas as formas, como: a) o que estamos fazendo, enquanto aulas remotas, está contribuindo com o aprendizado? Se diante de tantas incertezas, é a melhor alternativa? Se é, por quê? b) Como avaliar? Está sendo avaliado este processo? Minha experiência como professor na Educação Básica e na Educação Especial, com minha esposa, também professora na Educação Básica, como pai de uma menina de 5 anos na Educação Infantil, de um filho que cursa o 3º ano do Ensino Médio (esperando Enem e vestibulares) e outro que cursa o penúltimo ano da universidade, a rotina da família mudou totalmente. Eu e minha esposa, aprendendo lidar com as ferramentas para trabalhar as aulas de modo remoto. Pesquisando, criando e recriando estratégias para tentar chegar aos alunos. Elaborando apostilas, corrigindo atividades, tirando dúvidas nos grupos criados de WhatsApp, alunos e pais que nos ligam, insistência dos alunos para que devolvam as atividades para fecharmos o trimestre. Estou frustrado sim! Pois tenho consciência do que não estou conseguindo fazer, dadas as dificuldades postas. Pelo lado dos nossos alunos, precisamos reconhecer todos os esforços da parte deles. Se para nós a realidade é desafiadora, para eles, também é. Há casos, em que não têm acesso à internet, alguns nem telefone têm. Mas, conscientes do direito que todos têm de aprender, precisamos nos desdobrar para, ainda que minimante, possamos oferecer alguma forma de aprendizagem, nas situações adversas. Por outro lado, precisamos ser justos e reconhecer a dedicação dos alunos, seja pelas aulas remotas ou por outras ferramentas por eles acessadas. Pelo lado familiar, minha filha se adaptando na resolução das atividades recebidas do Cmei (por sinal, excelentes atividades). Porém, ela insiste questionando e afirmando que “a casa não é escola!”. Ela duvida das nossas orientações, alega que não somos os professores dela, que somos os pais. Para ela, o que vale é o que as professoras ensinam. Isto não me deixa preocupado, ao contrário: me deixa satisfeito, porque uma criança desta idade sabe valorizar professores e escola. Mas também demonstra o que as famílias estão passando. E tanto professores como pais, teremos que aproveitar tudo isto para uma boa experiência de valorização da escola porque as crianças sabem fazer muito bem. Elas fazem a resistência. O filho que está no 3º ano do Ensino Médio, se desdobrando para dar conta das aulas online, tarefas na plataforma, estudos extras, futuro incerto para o próximo ano. Aquele que está na universidade, sem aulas, literalmente. Não sabe ao certo quando suas aulas retornarão. Por aí vai…
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Como professor me desafio a afirmar que as angústias não se encerram ao final da pandemia, pois teremos que encontrar respostas às questões como: o que vamos considerar como aprendizado, como ensinado? Sobre os conteúdos abordados, até que são apropriados? Esta realidade mostra um ano atípico, mas não exime nossa responsabilidade com a formação; muitos ajustes serão necessários. Muitos outros questionamentos esperam por respostas. Pois tão desafiador será o retorno quanto o momento em que estamos vivendo. Quem nos responde? Há poucos dias, participando de uma discussão online, por ocasião de uma semana acadêmica de uma faculdade , questionei um palestrante acerca de algumas dessas dúvidas, sobre como agirmos ao retornarmos para nossas escolas. Entre algumas ponderações, o professor palestrante me sugeriu para que sentemos com alunos, em círculo, no chão da sala de aula, e procuremos ouvir o que eles têm a nos dizer. E a partir daí, podermos, com mais segurança, traçarmos os próximos passos no processo de ensino e aprendizagem. Vago? Avalie! Mas sabemos que a ação pedagógica vai muito além. Precisamos respaldar nossa ação pedagógica, também pelos documentos oficiais a serem construídos e executados. Entretanto, apesar de tudo, precisamos fazer estudos e pesquisas contando com colaboração das famílias, dos alunos, com o devido suporte e respaldo das esferas superiores para prover passos mais assertivos. Tenho certeza de que sobrevivendo, diante desse quadro, teremos grandes lições de vida, de escola, de profissionais. Espero que a escola nunca mais seja a mesma. E que mude para melhor!
Professor Volmar Duarte
Graduado em Biologia e Pedagogia
Mestre e Educação
Professor de Ciências, Biologia e
Educação Especial em Salgado Filho




