Centros serão criados para reforçar combate às drogas
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| Iniciativa faz parte do progema ‘Crack, é possível vencer’ que foi lançado em dezembro de 2011 pelo governo federal. |
O Ministério da Justiça publicou, na última sexta-feira, edital para financiar a criação de Centros Regionais de Referências para formação de profissionais de saúde, assistência social, segurança, agentes comunitários e agentes do sistema judiciário e policial em temas sobre a prevenção ao uso de crack e outras drogas.
O objetivo é qualificar, de forma permanente, os profissionais e a democratizar o acesso ao conhecimento, principalmente, nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde ainda há carência de polos de formação. O investimento total pode chegar a R$ 6 milhões.
A iniciativa, realizada por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), faz parte do programa ‘Crack, é possível vencer’, lançado em dezembro de 2011 pelo governo federal. Poderão apresentar propostas instituições de ensino superior públicas (IES), em áreas com população igual ou superior a 500 mil habitantes. As localizadas em municípios menores deverão firmar parcerias com cidades vizinhas a fim de atender ao critério populacional.
Nas propostas que disputarão os recursos devem constar, entre outras informações, a estratégia da instituição para articulação com os serviços dos municípios aos quais pertencem os profissionais a serem capacitados; o detalhamento da estrutura física em que serão ministrados os cursos; a metodologia, contendo descrição das atividades a serem realizadas; a relação dos docentes que ministrarão os cursos; e planilha orçamentária.
A data limite para apresentação das propostas é 25 de junho. As selecionadas receberão repasse federal no valor mínimo de R$ 200 mil e máximo de 300 mil, com recursos do Fundo Nacional Antidrogas da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). O resultado do processo será publicado no final de julho nas páginas do Obid e Brasil.gov.
A implantação do Caps em Beltrão
Em maio, quando se comemora a Luta Antimanicomial, muito se discutiu sobre as deficiências da rede de atendimento e dos avanços deste setor nos últimos anos. Mas o que se observa hoje é que tanto o transtorno mental quanto a dependência química estão inseridos em programas federais.
Mas a luta não começou ontem. O Caps Dr. Walter Albert Pécoits, em Francisco Beltrão, foi inaugurado em fevereiro de 2002, época em que se falava muito da reforma psiquiátrica. Os internamentos eram feitos somente em hospitais e a proposta era criar uma rede de atenção aos pacientes e suas famílias. “O objetivo é atender o usuário próximo de seu ambiente e focando não só as ações curativas, mas as preventivas”, explica o enfermeiro Manoel Brezolin.
Manoel, que participou da inauguração do Caps beltronense, lembra-se do preconceito acerca dos pacientes com transtorno mental. “Não era visto como uma doença tratável como qualquer outra, ninguém tinha vergonha de dizer que tinha diabete ou hipertensão, mas doença mental, não. ‘Não sou louco’ era uma expressão comum. E como consequência as pessoas não procuravam tratamento.”
A rede de atendimento aos portadores de transtorno mental também era outro obstáculo à época. “Como a população não entendia que era doença, não cobrava. Se alguém com uma unha encravada não fosse atendida, fazia um escândalo. Mas se procurasse ajuda com uma crise psicótica ou por tentativa de suicídio e não fosse atendido, jamais faria escândalo por medo de ser chamado de louco”, compara Manoel.
Preconceito diminuiu
Para o enfermeiro, a estrutura atual ainda está longe de atender a demanda de transtornos mentais. Mas o preconceito, que muitas vezes dificulta o próprio diagnóstico, diminuiu. “A qualidade dos hospitais psiquiátricos melhorou e os serviços na atenção básica, que são aqueles realizados pelos postos de saúde, justamente para evitar o internamento, estão melhor estruturados.”
O desafio agora é organizar a rede de atendimento com capacidade e qualidade para promover ações preventivas, curativas e de reinserção, conforme pontua Manoel. “E descobrir uma maneira de prevenir e tratar com eficiência os usuários de crack, um problema que em 2002 parecia distante”, cita.
“Mas o meu medo é eliminar em definitivo os manicômios para portadores de transtornos mentais clássicos e criar novos para usuários de crack”, pondera o enfermeiro.








