“Existe um pacto de silêncio na violência sexual de criança e adolescente”

O alerta é da psicóloga Angela Brustolin Rigatti.

Angela Brustolin Rigatti, psicóloga.

A lei que institui 18 de maio como Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi sancionada em 2000, com o objetivo de mobilizar e conscientizar a sociedade. “Infelizmente, 21 anos depois, os números de violência sexual continuam crescentes, mostrando que a gente ainda tem muito pra falar sobre esse assunto, que ainda é um tabu.

Muitas pessoas têm dificuldade de compreender como essa violência acontece”, ressalta Angela Brustolin Rigatti, psicóloga no CRAS, em Verê. Neste ano foi lançada uma cartilha do Ministério da Mulher e da Família, que mostra que uma em cada três meninas e um em cada seis meninos serão vítimas de violência sexual no Brasil. “Se a gente parar pra pensar, todos nós conhecemos essa quantidade de crianças – pelo menos três meninas e seis meninos – e pensar na possibilidade de pelo menos uma ser vítima de violência, isso preocupa.” 

Angela destaca a importância dessas crianças buscarem ajuda, uma vez que há pontos de apoio onde elas podem trazer seu relato. “O fenômeno da violência sexual é muito complexo, porque envolve toda uma chantagem, feito um pacto de silêncio, é muito difícil quando essa criança vem revelar.” Esta campanha visa ensinar crianças e adolescentes que existem partes do corpo que não devem ser tocadas, que existem alguns contatos com outras pessoas que são inadequados. “Por conta da idade, às vezes, elas não têm discernimento pra compreender que aquele comportamento, aquele toque, aquela fala se trata de uma violação de direitos. Muitas vezes, existe um pacto de silêncio”, comenta a psicóloga. 

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Mudanças de comportamento
Angela orienta para necessidade de procurar a rede de proteção do município onde reside, para acionar os órgãos de competência, de modo a fazer com que as medidas de proteção sejam tomadas. “Como é difícil eles trazerem esse relato, a gente precisa observar algumas mudanças no comportamento; os mais comuns são dificuldades na escola, recusa a se aproximar de algumas pessoas, recusa de irem em alguns lugares que antes frequentava. A gente sabe que grande parte dos abusos sexuais acontecem no âmbito familiar ou com pessoas muito próximas, então, a criança acaba se isolando ou passa a ter um comportamento muito sexualizado pra idade dela.”

A prevenção seria orientar as crianças sobre as partes do corpo, “explicar que tudo aquilo que fica embaixo da roupa não deve ser tocado, o que são essas partes íntimas, explicar que tipo de toque pode ter no banho, valorizar a fala da criança e seus sentimentos”. 

Isolamento em casa
Angela observa que, com a pandemia e o isolamento, é cada vez mais difícil as crianças terem um lugar onde possam revelar o que está acontecendo. “Como a maioria dos casos acontecem dentro das casas, elas não estão saindo, não estão revelando. Pensar que acontecem a maioria dentro de casa e elas passam a maior parte do tempo lá, a possibilidade desse números de violência estarem ainda maiores com a pandemia é preocupante.” 

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