Instituto destaca importância do sono para a saúde do coração
O Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (InCor), de São Paulo, lembra que dormir bem preserva a saúde cardíaca. O descanso para a mente e o corpo é tão importante que pesquisas, instituições e profissionais apontam para o desenvolvimento de problemas como a apneia ou o sedentarismo. O Dia do Sono foi comemorado no último dia 16 e serve de alerta para refletir sobre consequências ligadas a uma noite mal dormida.
Em Francisco Beltrão, a Clínica do Sono, inaugurada em 2010, já identificou alguns dos principais distúrbios relacionados ao sono. Segundo o neurologista Vicente Maranhão, a demanda por exames é grande. E entre os principais problemas está o ronco. “O ronco pode ser primário ou relacionado com a apneia, a causa mais importante das pessoas dormirem mal na região”, comenta o médico.
Vicente avalia o uso de ansiolíticos para dormir, comenta a quantidade de sono ideal para cada idade e dá dicas de como fazer uma boa higiene do sono. Leia na entrevista a seguir.
JdeB – Quais os principais distúrbios?
Vicente – O estilo de vida nas cidades grandes, as necessidades de trabalhos, as oportunidades noturnas fazem com que as pessoas se sintam estimuladas e durmam mal. Junto com isso tem o sedentarismo, a obesidade, as condições alimentares. Isso faz com que as pessoas aumentem o seu peso corporal e ocorra uma frouxidão da musculatura do pescoço e, associado com a obesidade, acontecem os casos de apneia do sono.
JdeB – Como identificar um problema?
Vicente – Diagnosticar qual é o problema que a pessoa tem pra dormir. Primeiro, deve-se ouvir quem dorme junto e que se sente incomodado porque a pessoa apresenta alterações durante o sono e não deixa o companheiro dormir. Segundo, a pessoa até acha que dorme bem, mas acorda cansada, sente falta do sono reparador, durante o dia percebe que não está produzindo como gostaria, sente que a atividade mental está lenta. Isso tudo é reflexo de uma noite mal dormida. À noite nós precisamos recarregar as baterias. E se elas não se recarregam, a gente começa o dia cansado. E isso faz com que a gente produza mal e, consequentemente, na noite seguinte, durma mal.
JdeB – O que fazer?
Vicente – Existe a higiene do sono, são várias posturas que a pessoa pode fazer para que tenha uma boa qualidade do sono. Desde não comer antes de dormir, não tomar café ou estimulante após seis horas da tarde e não assistir televisão antes de dormir. Estas rotinas e cuidados que as pessoas podem fazer na hora de dormir estão na página da clínica: www.clinicadosonobeltrao.com.
JdeB – O sono tem um tempo certo?
Vicente – O sono muda de acordo com a idade. O bebê dorme uma média de 18 horas por dia. Na adolescência, a necessidade de sono está em 10 ou 12 horas. O indivíduo adulto dorme de seis a nove horas, já o idoso dorme em média oito horas. A necessidade de sono muda de acordo com a idade e com o ritmo de vida. Por exemplo, o adolescente consegue dormir muito tarde, mas de manhã ele não consegue acordar. Por isso muitas escolas da Europa começam as aulas às 9 horas, porque sabem que a produção mental deste público é depois das 9 horas. Já o indivíduo adulto dorme cada vez menos, principalmente em grandes cidades.
JdeB – E hoje os estímulos estão acessíveis em cidades pequenas e grandes.
Vicente – A internet e TVs a cabo fazem com que a pessoa tenha uma atividade a fazer, no lugar de descansar. Tem faculdades à noite, tem muitos estímulos noturnos e a pessoa vai dormir tarde. E dormir tarde compromete a hora do sono. E quem não dorme bem, envelhece mais rápido.
JdeB – E sobre o uso de ansiolíticos?
Vicente – A insônia é a queixa mais frequente das dificuldades de sono. As pessoas acabam querendo tomar remédio para dormir. Mas isso é perigoso porque muitos destes remédios têm vários efeitos colaterais, podem viciar, pode dar uma sonolência rebote, uma ressaca no outro dia, tem que avaliar para ser usado só com critério médico muito específico. Hoje em dia tem vários remédios que podem ser utilizados e que não causam problemas.




