Motoristas reclamam dos preços para a CNH
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| Natanael aproveitou para fazer a CNH antes do reajuste. |
Os preços subiram e os candidatos a uma permissão para dirigir veículos reclamam. Completar 18 anos e rodar dentro da lei pode custar até R$ 1.300 — se se considerar a habilitação para carro e moto. Isso porque estão valendo, desde fevereiro, as novas taxas do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), aprovadas pela Assembleia Legislativa e sancionadas pelo governador Beto Richa.
As 24 novas tarifas e as 62 taxas de serviços foram reajustas e chegaram a ser conhecidas como o “tarifaço”. Esperava-se que os preços provocassem uma redução na movimentação da 30ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Francisco Beltrão. Mas o chefe Jairo Broch garante que está normal. “Este ano, antes de começar a valerem as taxas, a procura aumentou. Agora, claro, diminuiu”, comenta.
Para Jairo, não dá para afirmar que há uma relação entre os novos preços praticados pelo governo e o baixo movimento. “Primeiro porque é normal diminuir (a procura) nesta época porque os jovens aproveitam o final e o início do ano para fazer CNH. Aí agora diminui um pouco”, analisa.
E foi o que fez o estudante Natanael Mazzetto que encaminhou a documentação para garantir os valores antigos aos do “tarifaço”. Ao completar 18 anos em 25 de dezembro do ano passado, ele conta que correu para iniciar o processo e fazer o agendamento das datas. Mesmo assim lamenta pelos amigos prejudicados. “Tem colegas meus que não podem pagar. A galera deu uma desanimada.”
Mas enquanto os “longos dois meses” até receber a permissão para dirigir não chegam, Natanael faz questão de usar o carro apenas para se distrair. “Quando eu fico nervoso ou ansioso eu venho no carro e começo a mexer em tudo. Faz falta porque poderia estar ajudando meu pai”, diz Natanael que trabalha na garagem de carros do pai, Itacir Mazzetto.
Mas o aumento das taxas para exames psicotécnicos e de aptidão mental ou para renovação de Carteira Nacional de Habilitação (CNH), por exemplo, estes sim causaram espanto. O preço para renovar a carteira subiu de R$ 66 para R$ 101,79. A taxa para transferência de veículo mais que dobrou, saltou de R$ 33,05 para R$ 87,77.
Itacir, que é proprietário da Mazzetto Veículos, já sentiu no bolso o acréscimo estabelecido pelo governo. “Os garagistas acabam prejudicados. E a conta sempre vai acabar pro consumidor.”
Para Itacir, pode até existirem motivos, sejam eles quais forem, para estes reajustes. O problema é que isso terá reflexos na ilegalidade. “Tem muita gente que não vai ter condições de pagar. E vai acabar andando sem documento, ilegal. Porque não vai ter jeito”, analisa.
Assim como os garagistas que trabalham com um grande volume de transferências de veículos, os despachantes também discordam com o “aumento abusivo” dos valores. É o que comenda o despachante Maor Preto Prolo. “Gera dificuldade das pessoas fazerem a documentação e um desconforto diante da população.”






