Não se deve condenar as redes sociais, é preciso educar as pessoas

“[Elas] Gostam, como diz Zygmunt Bauman, de ouvir o eco da própria voz”, declara professor Adilson Alves.

 

Esta é a mensagem que aparece no Facebook, quando o objetivo é bloquear algum contato.

 

As mídias sociais são o meio mais fácil, rápido e barato de se manifestar. Elas se tornaram instrumento de trabalho e facilitam o contato entre as pessoas. Ainda que virtualmente, é possível conversar com gente de outros países sem nem mesmo sair de casa. Essas são algumas vantagens, mas há várias desvantagens também. Algumas pessoas sentem-se livres para opinar sobre qualquer assunto, por exemplo. 
O Facebook ainda tem a opção de excluir ou bloquear o contato, assim como no WhatsApp, mas, na vida real, não é tão simples assim. Quais os reflexos disso na sociedade? “As mídias sociais eletrônicas são um fenômeno novo. Contudo, a sociedade sempre tentou burlar o poder da grande mídia controlada por grupos poderosos”, responde Adilson Alves, sociólogo e professor da Unioeste. “Exemplo disso são as rádios piratas, os panfletos de denúncia, fanzines, jornais alternativos, mas todos eles eram muito precários, com pouca abrangência e de baixa qualidade”, acrescenta.
Para Adilson, a novidade é que a internet possibilita o alcance global imediato, além da equivalência de qualidade técnica, mas tudo isso é ambivalente, pois há pontos positivos e negativos. “O aspecto interessante é a via de mão dupla. Não há, na configuração atual das redes sociais, a possibilidade de um veículo de informação ditar sua opinião. Ele sempre será imediatamente contestado ou elogiado. Isso é bom, porque amplia a democracia. Contudo, isso deveria valer também para as opiniões pessoais. O que no geral não ocorre”, afirma.
O sociólogo destaca que as pessoas querem contestar, mas não querem ser contestadas. Sentem-se ofendidas quando são questionadas. “Tentam criar uma bolha, onde são aceitos apenas os iguais, com as mesmas ideias, os mesmos desejos. Gostam, como diz Zygmunt Bauman, de ouvir o eco da própria voz. Daí pode decorrer outro fenômeno, o lado sombrio das redes sociais, o ódio e a ignorância. Contudo, penso que não se deve condenar as redes sociais, ao contrário, é preciso educar as pessoas para a diversidade, o diálogo e a alteridade”, enfatiza.

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Como você controla suas mídias sociais?
“Já consegui muitas coisas do poder público através de cobranças on-line, entre eles um parque infantil no meu bairro. Mas o que considero mais importante foi a luta pela redução das diárias dos vereadores, eles gastaram, em 2013, 190.000 reais e, no ano passado, isso caiu para 63.000 reais”, comenta Ricardo Cassel, 33, funcionário público estadual, de São Jorge D’Oeste.
“Tem vezes que a gente tem vontade de pôr a boca no mundo e responder a certos posts e comentários, mas sempre uso de bom senso, pois me lembro de algo que minha mãe dizia: ‘quem não ajunta, que não espalhe’, ou seja, se é pra dar mais confusão ou se não for pra edificar algo, eu nem me manifesto. Posto o necessário, uso de bom senso e alegro as pessoas com coisas boas aos olhos:  comida. Nunca invadiram meu Face, porém temo por isso, pois meu trabalho depende 99? do Facebook/WhatsApp, apenas 1? pelo telefone”, diz Juliane Vidal Passarello, 31, confeiteira, de Francisco Beltrão.
“Eu simplesmente dou um aviso, caso continue, desfaço a amizade e pronto. Até hoje tive um caso somente e foi por política, mas, hoje em dia, tem que se tomar muito cuidado com as solicitações de amizades, nem sempre é bom ter muitos amigos. Poucos, mas que realmente você conheça ou tenha um interesse em particular, no meu caso a fotografia”, declara Silvana Bartz, 51, fotógrafa, de Curitiba.
“Quem nunca se incomodou com as redes sociais, não é mesmo? Às vezes você comenta um post, mas tua opinião não agrada a todos. Aí vira um bate-boca. Mas, neste caso, analiso bem se vale ter aquela pessoa nos meus contatos. Já bloqueei pessoas, porque só excluir não adiantava muito”, relata Janete Basso, 41, supervisora de hotelaria hospitalar, de Francisco Beltrão.

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