Nova droga custa menos e causa mais alucinação em usuários
Por Thiago Chiapetti
Considerado pior que o crack, o oxi — a nova droga que se espalha pelo Brasil — é traficada em formato de pedra e tem um custo baixíssimo: dois reais a unidade. Quando fumado, o tempo de efeito do oxi também é pequeno: não mais que 10 minutos. Já o poder de alucinação é duas vezes maior que o da cocaína. E quando acaba a euforia, outra potente reação se espalha pelo organismo do usuário: sensação de depressão — abrindo a porta para a dependência química e consequências físicas assustadoras.
Há relatos de que a droga é comercializada desde a década de 1980, nos estados do Acre e do Amazonas. Depois de tantos anos quase desconhecida pela sociedade, hoje o oxi também está presente no Piauí, na Paraíba, no Maranhão, em Brasília, São Paulo e no Rio de Janeiro, segundo dados da Associação Brasileira de Redução de Danos (ABRD). E agora, no mês passado, a mídia paranaense divulgou a apreensão de 150 gramas de oxi na região de Cascavel.
Apesar de soar estranho, o oxi tem suas raízes firmadas em drogas bem conhecidas da população. É do processamento da cocaína que deriva a pasta da coca que se torna matéria-prima para o crack e que, por sua vez, dá origem ao oxi (derivado de oxidado). Uma substância que chega a ser conhecida como uma das drogas mais destruidoras dos últimos tempos por causa do seu custo e do seu potencial alucinógeno.
“A grande diferença entre essas três drogas é que a cocaína é inalada e o crack e o oxi são fumados. Costuma-se dizer que o crack é o lixo da cocaína e que o oxi é o lixo do crack. Esse é um dos motivos que levam o oxi a ser uma das drogas mais perigosas”, explica o médico Valdir Spada Júnior, de Francisco Beltrão.
Composição
Enquanto o crack leva em sua composição uma mistura de pasta-base de coca, bicarbonato e amônia — nocivos para o ser humano —, o oxi possui produtos ainda mais tóxicos em sua composição. “O oxi possui uma maior concentração de cocaína e o seu baixo preço é um atrativo para os usuários”, compara dr. Spada Júnior, num comparativo com o crack.
Segundo o médico, o oxi causa inicialmente uma estimulação da atividade cerebral que proporciona prazer. “Em menos de 10 minutos, este efeito dá lugar a uma sensação de depressão. O usuário sente a necessidade do efeito inicial que o oxi proporciona o que leva ao desejo de um novo consumo da droga, motivo pelo qual é uma das drogas que mais causam dependência.”
Para Spada Júnior, ainda faltam dados sobre o oxi por se tratar de uma substância nova. A única pesquisa conhecida até o momento é de uma parceira entre a ABRD e o Ministério da Saúde. “A pesquisa acompanhou cem pacientes que fumavam oxi. E chegou a constatação catastrófica: a droga matou um terço dos usuários no prazo de um ano”, afirma o médico.
Consequências
As consequências de se fumar o oxi vão de alterações de comportamento a danos em órgãos vitais. “A aspiração de produtos corrosivos e a alta temperatura causam uma irritação grave de boca, laringe e pulmões, podendo levar a queimaduras nesses locais. O material utilizado para fumar, como latas de refrigerante, contribui para lesões das mesmas áreas”, relata o médico Spada Júnior.
“Há uma destruição de neurônios, causando além de perda de memória, uma maior irritabilidade, instabilidade do humor, psicose e agressividade. Pode levar a um comprometimento dos rins devido às toxinas inaladas. Náuseas e diarreia também são vistos com frequência”, complementa o médico.
Spada Júnior ainda faz outro alerta em relação ao aumento da pressão arterial. “Existe um maior risco de infarto e acidente vascular cerebral (derrame). Há ainda a possibilidade de esta droga levar ao câncer, já que se trata de uma receita caseira e diversos tipos de solventes podem ser usados para a sua fabricação.”
Drogas semelhantes
Para o capitão Rogério Pitz, a semelhança entre o oxi e o crack dificulta a identificação pela polícia. “São duas substâncias parecidas. Pra saber é só com o processo químico. Talvez nós até já tenhamos apreendido o oxi sem saber porque estas drogas tem características muito parecidas”, comenta.





