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O número de casos de abuso sexual em Pato Branco tem assustado a comunidade. Segundo a delegada Franciela Alberton, da Delegacia Especializada da Mulher, todas as semanas são registrados novos casos de abuso de vulneráveis, principalmente crianças. O mais recente de grande repercussão foi o estupro de uma criança de apenas dois anos, por um homem que junto com a esposa cuidava de uma creche em Pato Branco. O caso está sendo investigado e a Polícia Civil está ouvindo outras pessoas sobre possíveis casos envolvendo outras crianças que frequentavam o local, onde eram levadas pelos pais.

em comportamento sexual humano
Os crimes de abuso sexual são de grande repercussão e a comunidade não perdoa, muitos até defendendo a pena de morte, algo impossível no Brasil, para estes casos. O Jornal de Beltrão foi ouvir a psicóloga Raquel Varaschin, especialista em comportamento sexual humano e respeitada internacionalmente na área, com participação em vários simpósios nacionais e internacionais sobre o tema.
Segundo ela, é preciso separar o criminoso do parafílico (distúrbios psíquicos que se caracterizam pela preferência ou obsessão por práticas sexuais socialmente não aceitas), que apresenta o transtorno que o leva à pedofilia e aos crimes de abuso sexual. “Os portadores deste distúrbio precisam de tratamento, diferente do pedófilo que tem suas fantasias e pratica o crime para a simples satisfação de sua lascívia.”
Os estudos apontam que a parafilia é desenvolvida por pessoas que passaram por abuso sexual na infância, pessoas que sofrem distúrbios hormonais, e estas pessoas precisam ser tratadas. “É claro que não estamos entrando aqui no mérito dos aspectos jurídicos que enquadram estas pessoas no ordenamento jurídico que criminaliza a conduta.” É fato e a ciência reconhece que algumas pessoas cometem estes crimes e não são necessariamente pedófilos, na visão da psicologia, destaca Raquel.
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Outro dado assustador é que mais de 70% dos casos de abuso são praticados dentro de casa, por pessoas muito próximas, e que via de regra deveriam “proteger” a vítima. Outra diferença entre o pedófilo e o parafílico, é que o primeiro planeja a ação, os detalhes, escolhe a vítima de maneira calculada e avalia os riscos. Já o parafílico não, ele age por compulsão e no acaso, não planeja o ato. Esta é uma das formas que diferenciam os dois atores da conduta criminosa. Para proteger as crianças é preciso estar atento ao comportamento, porque as crianças dão sinais de que estão sendo abusadas.
Uma criança que começa a apresentar um comportamento diferente, apresenta-se triste e antes era alegre, mostram medo de adultos, ou de determinada pessoa, ou se na fase escolar começou a ter redução no rendimento, merece uma investigação mais profunda. Raquel destaca que é importante na menor suspeita, os pais acenderem a “luz vermelha” e se sentirem dificuldades buscar ajuda profissional.
“A escola, neste contexto, é muito importante, os professores têm condições de notar mudanças no comportamento da criança com maior facilidade.” Além dos aspectos psicológicos, a criança pode apresentar sinais biológicos, como infecções nas partes genitais, vermelhidão, e sintomas que precisam ser encaminhados para avaliação médica. A profissional sublinha que é preciso vigiar e prestar atenção, porque o perigo pode estar dentro de casa.





