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Dia 19, sexta-feira, o município de Francisco Beltrão vai sediar uma das audiências da Frente Parlamentar sobre o Pedágio da Assembleia Legislativa do Paraná. Em discussão a expansão da cobrança de pedágio nas atuais rodovias e novas rodovias, entre elas o Corredor Sudoeste, entre Pato Branco, Francisco Beltrão e Realeza. Nas audiências realizadas dias 5 e 6, respectivamente em Cascavel e Foz do Iguaçu, a Frente Parlamentar já se deparou com manifestações de entidades empresariais, do agronegócio e turismo contrárias à forma como os governos estadual e Federal estão encaminhando a questão.
O alerta do setor produtivo já chegou ao presidente Jair Bolsonaro, que por enquanto não se manifestou. Já o governador Carlos Massa Ratinho Júnior sentiu o clima em Cascavel e pediu ao Ministério da Infraestrutura, que está coordenando os projetos, retire o trecho de 44 quilômetros entre Cascavel e Toledo dos que estão previstos para a privatização. O governador admitiu, em discurso em Cascavel, perante o presidente Bolsonaro, que o assunto o atormenta.
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Lembrou que quando o pedágio foi instituído em rodovias do Paraná quando ele tinha 16 anos – 1997 – e o destino coube a ele enfrentar novamente a privatização das rodovias. Prometeu que não haverá maracutaias, que será um processo com lisura e com leilão em bolsa de valores. O governador tem mesmo que fazer um discurso positivista, como é próprio de político que está no poder. É legítimo, é do jogo. Ele tem que garantir que haverá lisura e transparência.
Mas a apreensão das lideranças empresariais da região Oeste e das entidades do setor produtivo – Faciap, Ocepar, Fiep, Faep, ACP e Fetranspar – faz sentido. Muito foi prometido e pouco foi entregue entre 1997 e 2021 pelas concessionárias do Anel de Integração. Outra coisa: quem garante que os grupos empresariais que comandam atualmente as concessionárias não vão participar direta ou indiretamente dos leilões em bolsa de valores?
O cidadão e o empresário paranaense estão cansados de promessas dos políticos e de pagar caro para transitar pelas rodovias do Anel de Integração. Além de alto valor, estas rodovias não foram duplicadas. Os setores industrial e agropecuário foram os mais penalizados por esta situação caótica que se tornou o pedágio no Paraná, alvo de tantos escândalos envolvendo empresas, empresários e autoridades públicas e de críticas da população.
Diante desta situação, as lideranças do Sudoeste precisam estar articuladas para a audiência pública do dia 19. Meu apelo é para que a Amsop, os sindicatos patronais Sindirepa (reparação de veículos), Sinvespar (confecções), Sindimetal (metalurgia e utensílios domésticos), Sindileite (indústrias de leite), Sindiavipar (representantes regionais das empresas avícolas), cooperativas agropecuárias (Coopertradição, Coasul, Coagro, Cocamp), Associação de Sindicatos Rurais (Assinepar), Cacispar, entre outros, se reúnam para definir uma pauta comum a todos. Se não manifestarem suas preocupações agora, depois poderá ser tarde. Serão 30 anos de concessão das rodovias!
Flávio Pedron – Jornalista do Jornal de Beltrão






