
a jovem já demonstrava a vocação no
corpo de baile do Ballet Mirna Pécoits.
Ela começou a dançar balé com apenas quatro anos. Por incentivo de uma tia, passou a frequentar as aulas no Centro de Artes Ballet Mirna Pécoits aos dez. Era perto da sua casa, por isso, foi mais fácil para Gabriela Guimarães de Nardin dar os primeiros passos como bailarina. Hoje, ela já vive da dança e é profissional na Companhia de Dança Eliane Fetzer de Curitiba. Apesar de ter iniciado no balé bem cedo, num período turbulento chamado adolescência, Gabriela garante que jamais pensou em desistir da dança. “Sempre gostei e sempre sonhei (como muitas meninas) em ser bailarina profissional, mas eu sempre soube que teria dificuldades, por causa do meu físico”.
Gabriela diz isso porque seu biotipo não é padrão para os bailarinos clássicos, com corpos longilíneos, magros, flexível. Notando que haveria obstáculos no percurso difíceis de vencer, a jovem resolveu se dedicar ao Jazz dance – modalidade de dança que utiliza as bases do balé. “O jazz possui identidade própria, é uma técnica mais dançante, marcada por movimentos controlados, porém ágeis e que necessitam de maior resistência corporal”, explica.
2008: ano da mudança
Foi em 2008 que Gabriela descobriu o trabalho de Eliane Fetzer. “De cara me interessei”. Segundo ela, foi neste momento que passou a pensar sobre sair de Francisco Beltrão e ir morar em Curitiba. “Queria conciliar minha graduação e ainda poder participar de algum grupo profissional dela. Se não pudesse entrar, pelo menos iria fazer aulas no Eliane Fetzer Centro de Dança e evoluir como bailarina.”
“Acharam que eu ia desistir no meio do caminho”
Na verdade, o sonho de muitas mães é vestir a filha de bailarina nas festas à fantasia, mas poucas desejam que a menina cresça e decida sobreviver da dança. Com a família de Gabriela não foi diferente. “Acho que meus pais sempre souberam que eu tinha algum potencial, mas não acreditavam que eu fosse tão longe. Acharam que eu ia desistir no meio do caminho”, conta.
Apesar disso, jamais faltou apoio para Gabriela. Seus pais, como ela mesma diz, sempre participaram das apresentações, ensaios, aulas e também gostaram da ideia da filha ser professora de dança. No entanto, se fosse para seguir uma carreira profissional, gostariam que Gabi seguisse outra carreira.
Antes de morar em Curitiba, Gabriela frequentou a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus de Pato Branco, e se graduou em Agronomia. Também chegou a cursar um ano de Ciências Biológicas na Unipar em Francisco Beltrão. “Foi um grande aprendizado e ganho de maturidade pra mim, mas quem me conhece sabe que eu sempre coloquei a dança em primeiro lugar, tanto como bailarina como também professora de dança.”
Bailarina da EF Jazz Company
Em outubro do ano passado, Gabriela morava em Beltrão e passava algumas horas do dia se dedicando à finalização da graduação, fazendo estágios e escrevendo seu TCC. Mas seu pensamento continuava no balé. Ficou sabendo que haveria audição neste mesmo mês e foi então que decidiu se preparar: frequentou as aulas de dança, foi à academia; toda dedicação para tentar uma vaga.
Durante a seleção, Gabriela fez entrevista, aulas de balé clássico e também dançou algumas coreografias do EF Jazz Company. O empenho valeu a pena. Dois dias depois veio a resposta: recebeu por e-mail a confirmação que poderia iniciar na companhia a partir de 2014.
Para se especializar ainda mais, a jovem também prestou vestibular para o curso de Dança na Faculdade de Artes do Paraná, e passou. “Tudo estava se encaminhando para que eu me mudasse. E fiquei muito feliz, é claro.”, comemora.
Rotina da bailarina na companhia curitibana
É um trabalho como qualquer outro, com expediente de segunda a sexta-feira e inclusive aos sábados. Gabriela trabalha durante a semana no período noturno e nos sábados à tarde. São muitas horas de aulas, ensaios e preparações. A rotina é exaustiva: “Nas segundas, quartas e sextas eu faço uma aula extra de jazz, que é fora do horário da companhia, para aprimorar minha técnica. É bem cansativo, mas como o tempo eu me acostumei com a rotina.”
A EF Jazz Company esteve em Francisco Beltrão semana passada e foi uma das escolas de dança a se apresentar na Mostra Paranaense em Beltrão. O espetáculo foi às 18 horas, domingo, no palco do Espaço da Arte. A companhia trouxe a Beltrão o “In Vitro”, com 22 bailarinos.
Para Gabriela, a emoção foi em dose dupla: dançar de maneira profissional, como sempre sonhou, e ainda num palco que lhe proporcionou muitas alegrias e que faz parte de sua história na dança. “Eu ainda estou estranhando tudo isso. Na verdade, eu estou tentando não pensar muito, porque sei que vai dar um nervoso. Só espero que todos apreciem o espetáculo e que dancemos com alma. É o que mais importa”. Gabriela conversou com o JdeB antes de vir a Beltrão participar da Mostra. O resultado foi exatamente como ela previu: um sucesso de público e emoções a flor da pele.

tinha algum potencial, mas não acreditavam que
eu fosse tão longe. Acharam que eu ia desistir no
meio do caminho”, lembra Gabi.





