GIRO PELA REGIÃO

Ana Júlia, a deputada mais jovem da Assembleia Legislativa

Ana Júlia Ribeiro, 25 anos: “O PT tem a maturidade e a compreensão da política e sabe que é mais importante a gente conseguir construir projetos coletivos e programas para o estado do Paraná do que necessariamente ser protagonista como cabeça de chapa”. Foto: Badger Vicari/JdeB

Ela nasceu no ano 2000. Com 25 anos, Ana Júlia Ribeiro (PT) é a mais jovem deputada da Assembleia Legislativa (foi eleita com 51,8 mil votos), e nesta semana fez um giro político pelo Sudoeste — Capanema, Francisco Beltrão, Pato Branco e Palmas — apresentando seu trabalho. Ela também passou no Jornal de Beltrão, acompanhada do vereador Marcos Folador (PT).

Em que pé está essa questão de saúde mental, que é uma pauta do seu mandato?

Ana Júlia Ribeiro: Olha, quando eu assumi o mandato, a gente percebeu que existia uma ausência do debate público em relação à promoção da saúde mental. E quando a gente fala de promoção à saúde mental, não estamos falando só de uma perspectiva medicamentosa, de acesso a terapias. Estamos falando disso também, mas principalmente sobre a promoção da saúde mental.

- Publicidade -

Como assim?

Você pensar o que a vida de uma pessoa precisa ter, que ela tenha uma saúde mental de qualidade. O que a gente acompanha é que, nos últimos tempos, na sociedade como um todo, o sofrimento mental começou a ser um problema coletivo. É um problema social. Então, esse é o nosso intuito com a Frente Parlamentar de Promoção da Saúde Mental, conseguir entender esse problema coletivo, conseguir entender esse problema social e discuti-lo e trazer uma nova perspectiva de promoção à saúde mental.

Essa Frente Parlamentar não existia antes?

Não, não. A gente criou na primeira semana de mandato. Hoje já temos  um pouco mais de 10 deputados, de diferentes partidos.

E está valendo a pena?

Está valendo muito a pena. Quando criamos a Frente, criamos com uma ideia, com um propósito. Inclusive por perceber muito o sofrimento mental nos nossos colegas, nos nossos amigos, na juventude. E quando a gente começou a trabalhar com a Frente, começou a vir muita demanda. Muita, muita, muita demanda. De diferentes lados e de diferentes perspectivas. E daí a gente percebeu o quanto que era o problema. Porque as pessoas olharam e falaram assim: “Meu Deus, tem um debate agora sobre isso”. E vários setores da população, da sociedade, começaram a vir atrás para conseguir debater.

Como foi tua eleição, como está teu mandato?

Eu sinto que a juventude olha e fala: “Cara, é possível, a gente pode chegar ali”. Meus pais nunca foram candidatos. Eu não tenho essa coisa familiar de estar dentro da política. Todas as pessoas jovens que nós tínhamos na política, a esmagadora maioria vem dessa herança familiar, e com uma condição social muito elevada, economicamente, culturalmente. Então, quando eu consegui chegar na Assembleia sem ter essa tradição familiar, sem ter dinheiro no banco, sem ter esse capital político, é uma vitória muito grande.

A primeira eleição tua foi para vereadora, né?

Isso, fui candidata a vereadora de Curitiba em 2020, fiquei como suplente. Foi uma campanha muito bonita. Eu comecei a trabalhar com política com 16 anos, no movimento estudantil. Conheci muitos partidos, tive muitas propostas. E o PT sempre esteve perto, sempre incentivava, sempre tinha lideranças que conversavam muito comigo. Meus pais nunca foram da política, nunca foram candidatos, mas sempre foram filiados ao PT. Mas eu, tipo, ficava aquela coisa de adolescente: “Eu não quero seguir os meus pais”. Então eu fui conhecer todos os partidos. E o PT era o partido que estava mais preocupado com a minha formação política, com a minha formação acadêmica, com os meus estudos. E daí, quando eu entrei na faculdade, comecei a trabalhar e estava já mais madura politicamente, eu escolhi me filiar no PT. E não com a pretensão de ser candidata.

E para 2026 no Paraná, qual o caminho do PT?

O PT tem a maturidade e a compreensão da política e sabe que é mais importante construir projetos coletivos e programas para o estado do Paraná do que necessariamente ser protagonista como cabeça de chapa. A gente vai priorizar uma composição, a gente vai priorizar uma aliança, mas uma aliança que seja em relação a um programa para o estado do Paraná.

O que, por exemplo?

Olha, primeiro, a valorização da educação, eu venho da pauta da educação. Para mim, essa é uma pauta muito importante, muito cara. E o governo atual tem muita propaganda em relação a isso, mas na prática, nada. Na prática, corta o salário das mulheres, das professoras que estão em licença-maternidade. Na prática, sucateia a educação, não reajusta o salário dos professores, quando reajusta, é muito pouco.

Mais algum ponto?

O Estado, o governo do Paraná como um todo, não tem mais autonomia, porque ele vendeu e entregou tudo. Eu acredito que todo Estado precisa ter uma máquina pública forte, ele precisa ter estrutura para fiscalizar as relações privadas, para poder acompanhar, não para interferir, mas para poder garantir que as coisas aconteçam. Quando eu falo de um setor importante como o setor elétrico, como a Copel, olha a piora que a gente teve na qualidade do serviço de energia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Destaques