Falta de chuva preocupa produtores de Pérola d’Oeste

O secretário João Paulo Schnell (Agricultura) também é agrônomo: “A falta de chuvas prejudicou o desenvolvimento do milho”.
Jônatas Araújo/ JdeB

Na avaliação da Secretaria de Agricultura de Pérola d’Oeste, a estiagem que atingiu a região deve afetar a produção agrícola do município neste ano.

A estimativa é de perdas de 40% na safra de soja e de até 70% na segunda safra de milho. O cenário preocupa produtores e deve refletir na economia local, que tem no agronegócio sua principal base produtiva.

De acordo com o secretário João Paulo Schnell (Agricultura), a estrutura econômica local é fortemente ligada à produção de grãos, além da atividade leiteira.

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“Boa parte do município trabalha com soja, milho, feijão e trigo. Os agricultores estão preocupados com a dificuldade que já enxergam mais à frente para conseguir pagar os custos. Vai dar quebra e preocupa a gente, na verdade. Porque eu sou secretário, mas sou agricultor também e trabalho todo dia com os agricultores.”

Hoje, o município conta com cerca de 750 agricultores registrados no CAD/PRO, o que representa aproximadamente de 450 famílias. Desse total, cerca de 300 produtores atuam diretamente com grãos, enquanto a maioria mantém atividades diversificadas, combinando lavouras com pecuária leiteira, aviários ou outras fontes de renda.

Produção abaixo da média

Em uma safra considerada normal, Pérola d’Oeste cultiva entre 11 e 13 mil hectares de soja, com produtividade média de cerca de 60 sacas por hectare, o que resulta em aproximadamente 700 mil sacas produzidas.

Já o milho de segunda safra ocupa entre 7 e 8 mil hectares, com expectativa habitual de até 1,2 milhão de sacas.

Neste ano, no entanto, a realidade é diferente. A estiagem afetou diretamente o desenvolvimento das lavouras, reduzindo significativamente a produtividade. A soja rendeu, em média, 44 sacas por hectare.

O secretário de Agricultura relata que o impacto variou conforme a época de plantio. As áreas semeadas no início da janela, a partir de 15 de setembro, foram as mais prejudicadas, com perdas que chegaram a 70%.

Já as lavouras implantadas na primeira quinzena de outubro tiveram desempenho mais próximo da média, enquanto o plantio tardio voltou a sofrer com a falta de chuva.

No milho safrinha, a expectativa inicial era de produtividade de cerca de 150 sacas por hectare, mas a projeção atual não passa de 100 sacas, podendo ficar abaixo disso.

Com abastecimento, Prefeitura tem auxiliado as comunidades

João Paulo relata que, até o fim de dezembro, o volume de chuvas em Pérola d’Oeste foi considerado normal, até acima da média. A partir de janeiro, a falta de chuvas começou a afetar muitas regiões do interior do município.

“Tem comunidades que estavam há 50 dias sem chuvas. Na terça-feira passada deu uma chuva de 30 milímetros. Claro que ajuda, mas nós precisamos de mais chuva, senão isso não vai solucionar o problema.”

Além das lavouras, a estiagem também afetou diretamente o abastecimento de água no meio rural. O secretário relata que há registros de sangas, córregos e vertentes secos, além de açudes com níveis baixos, comprometendo o fornecimento para os animais.

Diante da situação, a Secretaria de Agricultura intensificou as ações de apoio aos produtores, principalmente para garantir o acesso à água.

Nos últimos dias, a secretaria abriu bebedouros para animais e fez a proteção de fontes no interior com apoio da Itaipu.

O atendimento tem sido direcionado especialmente a comunidades que não contam com abastecimento por rede, onde a escassez é mais crítica.

Já nas áreas atendidas pela Sanepar, o impacto foi menor no consumo doméstico, mas ainda há dificuldades no fornecimento para a produção.

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