GRIPE AVIÁRIA

Países suspendem  importação de carne de frango do Brasil

O governo chinês parou com a compra em 51 frigoríficos devido o caso de gripe aviária no RS; 22 frigoríficos são do Paraná .


FOTO: Arquivo JdeB.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a suspensão da exportação de carne de aves por 20 países no começo desta semana. Países como México, Coreia do Sul, Chile, Canadá, Uruguai, Malásia e Argentina manifestaram pela suspensão da importação da carne de aves de todo o Brasil.

Já para China, União Europeia, África do Sul, Rússia, Peru, República Dominicana, Bolívia, Marrocos, Paquistão e Sri Lanka a suspensão para todo o território nacional foi aplicada em atendimento aos requisitos sanitários em protocolos assinados com esses países parceiros.

De forma regionalizada, Reino Unido, Cuba e Bahrein suspenderam o estado do Rio Grande do Sul. Diversos outros países aplicam a restrição apenas à área afetada, o que, neste caso, não gera impactos comerciais, já que não há estabelecimentos exportadores localizados no raio do foco.

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O Mapa ressalta que essa lista é dinâmica e é revisada diariamente, tendo em vista as tratativas em curso com os países parceiros, nas quais são apresentadas todas as ações que estão sendo executadas para erradicar o foco.

Novas atualizações serão publicadas no site, com o objetivo de garantir transparência sobre a situação.

O governo chinês suspendeu as importações de carne de aves de 51 frigoríficos brasileiros. As plantas industriais estão situadas nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais São Paulo, Paraná (22 empresas), Santa Catarina (13 empresas) e Rio Grande do Sul (8).

A suspensão das exportações se deve ao foco de gripe aviária detectado na semana em aves de uma empresa de Montenegro (RS). Todas as aves deste foco foram abatidas e as autoridades sanitárias do Rio Grande do Sul realizaram investigações e vistorias em outras propriedades nos raios de três e dez quilômetros próximos para verificar se o vírus se propagou para outras criações.

Outros casos suspeitos da gripe aviária estão sendo investigados nos estados do Rio Grande do Sul, Tocantins, Santa Catarina, Ceará e Pará.

Sistema robusto

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reuniu-se com integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para dialogar sobre a emergência zoossanitária causada pela gripe aviária no Rio Grande do Sul. Durante o encontro, ele destacou a robustez do sistema sanitário brasileiro e o compromisso do governo com a transparência das informações.

“Esse vírus circula no mundo há anos. Não é coincidência que o Brasil tenha se mantido sem casos por tanto tempo. Isso é fruto de um sistema sanitário robusto, que integra o Governo Federal, estadual, municipal e o setor empresarial. A eficiência do sistema brasileiro é muito grande”, afirmou Fávaro.

Empresas do Paraná afetadas pela decisão da China

Lar Cooperativa Agroindustrial (Cascavel), C.Vale, Cooperativa Agroindustrial (Palotina), Coopavel (Cascavel), Lar Cooperativa Agroindustrial (Matelândia), Copacol (Cafelândia), Copacol (Ubiratã), Lar Cooperativa Agroindustrial (Marechal Cândido Rondon), Coasul Cooperativa Agroindustrial (São João), Gonçalves & Tortola (Paraíso do Norte), Gonçalves & Tortola (Maringá), Lar Cooperativa Agroindustrial (Rolândia), Aurora Cooperativa (Mandaguari), Cotriguaçu Cooperativa Central (Cascavel), Avenorte Avícola Cianorte (Cianorte), Plusval Agroavícola (Umuarama), Jaguafrangos Indústria e Comércio de Alimentos (Jaguapitã), Seara Alimentos (Santo Inácio), Dip Frangos (Capanema), Seara (Rolândia), Somave Agroindustrial (Cidade Gaúcha) e BRF Toledo.

O que dizem

A Levo Alimentos informa que a suspensão irá afetar o volume de exportação que iria para a China, mas agora esse volume vai ser disponibilizado para outros mercados.

A Dip Frangos, de Capanema, foi contatada para se pronunciar, mas até o fechamento desta matéria não havia retornado. A Coasul – Cooperativa Agroindustrial – foi contatada e preferiu não se pronunciar.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Asgav (Associação Gaúcha de Avicultura), em nota, lembram que a situação em questão do foco de grive aviária no Rio Grande do Sul – assim como qualquer outra ocorrência da enfermidade em aves – “não representa qualquer risco ao consumidor final”.

Não há evidência que o vírus da gripe aviária possa afetar humanos
G1 – A gripe é provocada por uma variante do vírus Influenza H5N1. Hospedado em aves, o vírus pode infectar mamíferos e é altamente letal para os animais.
Não há evidências de que humanos possam contrair a gripe ao consumir ovos ou carne de aves infectadas. O risco de transmissão para pessoas é muito baixo. É mais comum entre profissionais que têm contato direto com animais doentes.
A transmissão de pessoa para pessoa ainda não foi identificada.

Em Montenegro, no Rio Grande do Sul, governo conclui vistoria das propriedades num raio de 10 km do foco

A Secretaria de Agricultura do RS mantém 85 fiscais agropecuários, técnicos agrícolas e servidores de outros cargos na região onde foi detectado o foco de gripe aviária. FOTO: Divulgação Seapi.

Estadão Conteúdo/Assessoria GRS – O governo do Rio Grande do Sul concluiu terça-feira, 20, a vistoria de todas as propriedades em um raio de até 10 km do local em que foi detectado um foco de gripe aviária em granja comercial no município de Montenegro, informou a Secretaria da Agricultura do Estado em nota. Ao todo, 540 propriedades rurais foram vistoriadas.

A secretaria afirmou também que as 19 propriedades rurais que têm presença de aves em um raio de 3 km do foco de gripe aviária foram revisitadas. No próximo sábado, 24, a vigilância sanitária estadual vai iniciar a revisitação nas propriedades no raio de 10 km, informou a secretaria. As medidas estão previstas no Plano Nacional de Contingência de Influenza Aviária.

A secretaria informou, ainda, que as sete barreiras sanitárias instaladas no Estado funcionam 24 horas por dia e já desinfectaram cerca de 1.200 veículos. “Além das ações de vigilância ativa e barreiras de desinfecção, os servidores estão atuando em atividades de educação sanitária, com orientações em escolas e visitas em agropecuárias no raio de 10 quilômetros do foco”, disse a secretaria.

De acordo com a secretaria, durante a vistoria às propriedades, uma ave de subsistência com sintomas respiratórios foi coletada no município de Montenegro e enviada ao Laboratório Federal de Diagnóstico Agropecuário, em Campinas (SP).

“O Estado aguarda o resultado do Ministério da Agricultura e Pecuária”, concluiu a secretaria na nota.

Caso em humano é descartado

Foi descartado nesta semana um caso que chegou a ser suspeito de influenza aviária em um trabalhador de uma granja de Montenegro, onde foi identificado o foco da doença entre aves. O exame foi realizado ontem pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, laboratório de referência nacional para vírus respiratórios.

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