Rei dos Motoristas em 2011, Aderbal Loss seguiu a profissão do pai

Aderbal Loss começou na profissão muito novo, por influência do seu pai.

Desde muito cedo, Aderbal Loss decidiu seguir a mesma profissão de seu pai, motorista de caminhão. Nascido em Renascença e criado em Marmeleiro, ele diz que optou por trabalhar na área porque sempre gostou da atividade. “Tive uma experiência desde novo e não consegui mais sair. Meu pai também foi caminhoneiro por muitos anos e vamos seguindo neste mesmo ritmo”.
Escolhido pelos colegas de profissão como o Rei dos Motoristas no ano de 2011, Loss já rodou por todo o país com seu caminhão e o lugar mais longe ao qual já foi é o município de Fortaleza, estado do Ceará. “Em torno de quatro mil quilômetros”, diz.

Dificuldades

Quando perguntado sobre as maiores dificuldades da vida de um motorista de caminhão, Aderbal avalia que muitas vezes é a de não ser bem recebido em alguns locais, mas ficar longe da família é o que mais pesa. “Temos que ir sempre tocando em frente, apesar de tudo. Não podemos fazer nenhum tipo de programação com os familiares porque estamos sempre longe. Isso é um grande problema, deixar a família em casa e sair para o mundo”. Quanto ao título de Rei dos Motoristas há 14 anos, ele diz que sempre sente muita gratidão. “Fiquei muito feliz e agradeço a todos por essa escolha”.

Muito cuidado

A mensagem que Aderbal Loss deixa aos seus colegas de profissão, é para que tenham cada vez mais cuidado nas estradas, porque os perigos pelos quais os motoristas passam, são constantes: “Se agarrem muito com Deus, rezem muito porque hoje a estrada é muito perigosa. Estamos aí rodando sempre com um ‘gatilho armado’ para o nosso lado. Que os irmãos e companheiros da estrada tenham muito cuidado e que Deus abençoe a todos!”.

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A difícil rotina dos caminhoneiros

Aderbal faz viagens longas de caminhão. Em relato para Nereu Miserski, Aderbal Loss contou sobre as dificuldades que enfrenta no dia a dia. Há poucos dias ele estava em Miritituba, no Pará, onde tem um grande porto de cargas e descargas. Ele chegou na fila às seis horas da manhã, conseguiu entrar no estacionamento a uma hora da manhã e continuava na fila até a madrugada do outro dia. Ele disse que havia uma grande quantidade de caminhões.

Confira o relato desta e de outras viagens:

“Isso aqui tem mais de cinco mil caminhões. É caminhão demais, nossa mãe de misericórdia! Hoje pela manhã estava dando uns 40, 42 quilômetros de fila na BR. Tá congestionado aqui, não tem como chegar, choveu, tem um trecho de chão aqui, o pessoal não consegue chegar. Tem um trecho de chão aqui, que é onde o pessoal não vai chegar pra descargar na balsa, né? Daí choveu, não chega. Mas isso é um trecho de uns 4 quilômetros. Uma vergonha pra um porto desse que recebe tanta mercadoria.”

Sol escaldante e falta de estrutura

Ele relatou que a temperatura deveria estar de 38 a 40 graus. “É um calor dos infernos. A gente fica louco, nem o que fazer, não tem uma sombra, não tem nada, no relento do sol.”

Alimentação improvisada na estrada

Aderbal contou que a comida o caminhoneiro tem que fazer na caixa. “De vez em quando passa um abençoado vendendo uma tapioca. Aqui o povo do Pará é meio devagar pra essas coisas. Vim sempre prevenido com água e comida. Hoje nos caminhões todo mundo tem geladeira e tudo, trazem carne, frutas, coisarada.”

Estrutura básica apenas no pátio de triagem

O caminhoneiro relatou que depois que o caminhão entra no pátio de triagem, tem restaurante, banheiros e outras estruturas. “Mas até tu chegar ali é desse modelo aí. É fila, fila, fila. Tem que ir se virando. Tem que ir cozinhando, meio aos trotes, meio ligeiro assim, por causa que vai puxando e então é tudo meio correndo aí. Nesse exato momento agora eu saí do pátio de triagem, que é onde faz a marcação pra daí, quando chega tua hora, a gente carrega, eu tô em uma fila de novo.”

Rota longa entre o Sul e o Norte

Ele sai de Marmeleiro e fica no Estado do Mato Grosso puxando cargas das regiões de Sorriso e Sinop pro Pará. “Aí nós voltamos batendo no caixa. Um trajeto de mil, mil e cem, máximo mil e duzentos quilômetros. Então, são uma média de dois mil e poucos quilômetros ida e volta.”

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