Marcos Antônio Matte se dedica há mais de duas décadas a serviços gratuitos nos pleitos e incentiva os filhos a seguirem o caminho.

Por Juliam Nazaré – Para que as eleições fluam sem percalços, são necessários cuidados e o trabalho de voluntários. Detalhes, como a garantia do voto secreto e da credibilidade do processo, dependem de uma força-tarefa que inclui o serviço de quem se dedica à causa por vontade própria e sem remuneração. É o caso de Marcos Antônio Matte, de 50 anos.
Ele é natural de Foz do Iguaçu e mora há duas décadas em Francisco Beltrão, trabalhando na Justiça Federal. Desde então, apoiou o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE) em mais de dez eleições. Começou como secretário de mesa e ao longo dos anos desempenhou várias funções, como mesário, presidente de mesa e foi responsável pelo pagamento dos mesários (no caso dos remunerados). Assim como nos últimos, neste pleito Marcos será chefe de prédio.
“Fiquei responsável pelas eleições na Unisep, em Beltrão. Eu e mais alguns colegas vamos ao local de votação dois dias antes e programamos tudo. Deixamos cada urna nos locais certos. É importante verificar o ponto correto. Ela não pode ficar, por exemplo, visível a uma janela. É feito um teste com a urna, depois ela é trancada e só é aberta e ligada no dia da eleição.”
Outras situações são averiguadas, como a acomodação dos mesários, entre outros fatores que evitam problemas durante os atos de votação e apuração.
“Sou eu que reúno todos os pen-drives do prédio e os entrego no TRE.”
Diante da polarização política no cenário nacional e até o questionamento quanto à violação das urnas, Marcos acredita que o trabalho em 2022 exigirá ainda mais eficiência.
“As eleições não ocorreriam sem os mesários e demais voluntários. Somos uma minoria fazendo um trabalho relevante, que neste ano torna-se ainda mais especial.”
Além de Marcos, a Justiça Federal de Beltrão costuma ceder cerca de 15 servidores que atuam gratuitamente nos pleitos. Nos últimos anos, Matte incentivou os filhos a seguirem o mesmo caminho. Eliziane Torres Matte, depois que fez 16 anos e tornou-se uma eleitora, também foi trabalhar como voluntária. “Agora está numa academia militar, então não conseguirá nos ajudar. Mas meu filho Marcos Pedro, de 18 anos, acadêmico de Direito, estará conosco.”







