
Leandro Czerniaski – O risco de desmoronamento no Bairro São Francisco é eminente. Defesa Civil e Prefeitura estão acompanhando a movimentação de terras no local onde uma fenda se abriu no chão, na madrugada de terça-feira, e desde então vem aumentando de tamanho. Ontem à tarde, o buraco já tinha cerca de 50 cm, mesmo tendo parado de chover.
“Que isso tudo vai descer é certo, a gente só não sabe quando”, contou um morador que calculava o tamanho da abertura.
A orientação foi para que todos os moradores da área deixassem suas casas, mas muitos ainda insistem em permanecer, principalmente quem mora não tão próximo de onde a cratera se abriu. O JdeB esteve no local ontem à tarde e verificou que mais da metade das famílias ainda permaneciam no local. Muitos alegam não ter para onde ficar ou se recusam ir ao abrigo disponibilizado pela Prefeitura.
Imóveis condenados
O local sob risco abrange uma área de invasão, na parte mais alta, e imóveis que fazem parte do loteamento, abaixo do primeiro barranco. É caso da moradora Silvana Camargo, que construiu a casa há sete meses, com alvará e certidão de habite-se, e agora está abrigada na casa da irmã devido ao risco de deslizamento. “A casa tá 99% comprometida, mesmo que pare de chover e não desabe tudo, não tem mais como voltar.”
No terreno, é como se o chão tivesse “estufado” e há diversas rachaduras em diferentes pontos. Por segurança, ela saiu com os três filhos e a neta, conseguindo retirar parte dos móveis. Algumas vezes por dia volta pra ver como está a casa, mas não quer estar no local quando tudo vier abaixo.
Outros moradores também vivem a sensação de que estão prestes a presenciar uma tragédia. Na parte alta, várias famílias foram retiradas ainda na terça, mas ontem havia muita gente em casa ou puxando mudança bem próximo de onde se abriu a fenda. Um deles relatou que tirou móveis e as portas da casa e pretende ir para o abrigo da Prefeitura com a mãe e o irmão, que moram bem perto e também tiveram os imóveis condenados. “Estamos há duas noites já meio sem dormir, trabalhando pra puxar as coisas.”
A Prefeitura ofereceu caminhão e pessoal para carregar os móveis de algumas famílias; tudo ficará guardado no pavilhão do Bairro Alvorada. Quem não tem para onde ir (casa de familiares ou amigos), pode ficar no abrigo montado no pavilhão do Cristo Rei.

Famílias podem receber aluguel social
Ontem à tarde, vereadores foram até a área de risco para verificar a situação. Cidão Barbiero e Tiago Correa conversaram com a reportagem dizendo que iriam buscar junto à Prefeitura um meio de garantir aluguel social, inicialmente, e depois buscar uma forma de construir moradias para as famílias atingidas. Pouco tempo depois, a secretária de Assistência Social, Nádia Bonatto, informou ao JdeB que o prefeito Cleber Fontana já havia solicitado informações durante o dia sobre os afetados, visando levantar o número exato de moradores para conceder o aluguel social. O benefício não é imediato, e precisa aprovação da Câmara.





