Altair passou a alimentar os peixes diariamente há uns seis meses e vê cada vez mais animais no trecho do rio em frente à sua empresa.

Leandro Czerniaski – Na altura da ponte da Rua Curitiba, o empresário Altair Borghezan instalou uma revenda de carros há um ano e meio. Logo, observou que em frente ao estabelecimento havia alguns peixes no Rio Lonqueador e começou a tratar com sobras de pão. Com o fornecimento de alimento constante, o cardume foi crescendo e hoje, estima ele, há centenas de peixes vivendo no local.
“Tem horas que vem uns 500 peixes e eu me divirto alimentando e cuidando deles, isso é vida.”
Ao longo do trecho do Rio Lonqueador que corta a cidade é difícil ver peixes, mas no ponto onde os animais estão há uma canalização com água bem limpa, vindo de parte mais altas do Bairro Vila Nova. O morador aponta que neste trecho a água é mais transparente e isso pode ter contribuído para o aparecimento dos peixes.
Borghezan já identificou que a maioria dos animais são tilápias e traíras, algumas com mais de 2 kg. Ele já chegou a pescar alguns exemplares, mas não recomenda o consumo dos peixes do Lonqueador.
“Pegamos uma traíra, mas na hora de fritar já veio o cheio de óleo diesel e o gosto era bem forte.”
Ele acredita que a contaminação do rio com dejetos de oficinas e postos de lavagem tenha impregnado nos animais.
O apelo do morador que há 35 anos reside na cidade e que viu o Lonqueador mais preservado do que está atualmente é que as pessoas se conscientizem e ajudem a cuidar do rio.
“É uma pena que o rio seja tratado assim e esteja poluído de diversas formas. Já liguei no Meio Ambiente [Secretaria], me orientaram a denunciar no 181; liguei lá, mas ainda não vi fiscalização aqui.”
Fiscalização
O JdeB entrou em contato com a Secretaria de Meio Ambiente, que disse fiscalizar as empresas que geram resíduos tóxicos aos rios, como oficinas e postos de lavagem automotivas. Estas empresas precisam ter licenciamento e plano de gerenciamento de resíduos. A fiscalização direta dos rios é do IAT (Instituto Água e Terra), do Estado.
O secretário Vilmar Rigo aponta que o óleo que pode estar caindo no rio pode vir de diversas partes da cidade e mesmo de imóveis residenciais, conduzido pelas galerias pluviais. Quanto ao consumo dos peixes do Lonqueador, é necessária uma orientação da Vigilância Sanitária.







