
Nascido num gibi do fim dos anos 80, Sandman sempre foi categoricamente ignorado pela minha pessoa. No início dos anos 2000, ouvi falar do tal bagual, mas nada que abalasse a atenção que dedicava a outras coisas. Hoje a coisa mudou de figura.
Comecei a ver a série da Netflix mais por curiosidade que por expectativa e aí, sim, fui fisgado por um roteiro muito bem escrito e uma trama muito mais profunda do que esperava. Como não li os “originais” de Neil Gaiman não tenho como opinar sobre a fidelidade de personagens e eventos, mas que está muito interessante está. Uso o verbo no presente por não ter assistido a temporada toda ainda.
A história tem seu desenvolvimento natural, mas cada episódio tem seu pequeno arco, quase como uma série procedural. Isso me agradou muito, pois cada segmento tem personagens, estilo e tema diferentes. Sem perder a linha narrativa da odisséia vivida pelo Rei dos Sonhos, discussões muito pertinentes são apresentadas sobre relacionamentos familiares e amorosos, sinceridade e mentira, vida e morte…
O ritmo pode até parecer meio lento pelo fato de não haver ação do tipo soco e pontapés, tiros e explosões, mas os diálogos são bem escritos e instigantes, prendendo a atenção e dando uma dinâmica especial, mesmo sem entregar tudo de bandeja. Falando em ação, o duelo entre Sandman e Lúcifer é um ponto alto dessa bagaça.
Da mesma forma que as atuações se destacam pela qualidade e ajudam a transmitir informação e sentimento — sem palavras —, os efeitos especiais são bem feitos e extremamente inventivos. Imagino que inspirados nos desenhos da HQ oitentista, porém, ainda assim dignos de elogio.
Sem saber como termina e certo de que farão uma segunda temporada, sinto segurança em dizer que vale a pena experimentar Sandman. Tem um jeitão todo particular? Tem. É bom? É.
Esse que vos escreve vai tirar uma folga desse espaço, mas, ouvi dizer que alguém pode aparecer por aqui com sugestões de filmes e séries. Até setembro!




