Um é descrito como “vapor” e outros 20 são apontados como “soldados”.
A ação de quinta-feira, 6, na favela do Jacarezinho (zona norte), no Rio, teve como alvos 21 réus sob acusação de associação ao tráfico. A denúncia contra eles tem como base fotos publicadas em redes sociais em que aparecem armados. Foi a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, deixando 25 mortos.
Os 21 citados na denúncia são réus por associação ao tráfico de drogas, crime cuja a pena varia de 3 a 10 anos de reclusão.
A denúncia que motivou os mandados de prisão a serem cumpridos na operação não menciona os crimes apontados pelo delegado Felipe Cury, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada, responsável por descrever a investigação à imprensa.
Em entrevista coletiva quinta-feira, 6, ele afirmou que a apuração mostrou crimes graves “conexos ao tráfico de drogas” como homicídios, aliciamento de menores, sequestros de composições da Supervia e roubos.
“A investigação não é o tráfico por si só. Há uma série de crimes conexos ao tráfico de drogas que precisam ser investigados. Investigamos o tráfico, mas no trabalho de inteligência descobrimos uma série de crimes que os traficantes realizam”, disse Cury.
O processo indicado pela Polícia Civil ao Ministério Público do Rio de Janeiro como objetivo da operação não descreve nenhuma dessas práticas. Procurado para explicar a divergência, o órgão não respondeu até a publicação desta reportagem
As 36 páginas da denúncia apresentam fotos de 21 homens publicados em redes sociais, com suas identificações completas.
Um é descrito como “vapor”, membro de baixo escalão do tráfico responsável pela distribuição e venda de drogas, e os 20 demais são apontados como “soldados”, como são denominados pela integrantes das facções que fazem a vigilância das áreas em que atuam e fazem o primeiro enfrentamento à polícia.
Fotos de 4 dos 20 apontados como “soldados” do tráfico que constam na denúncia não apresentam qualquer armamento com eles. As contas nas redes sociais desses acusados estão suspensas, fechadas ou não existem mais. Um quinto acusado tem uma foto com um “emoticon” na frente, que impede a identificação total de seu rosto.




