Luiz Augusto Silva, ou Guto Silva, como é mais conhecido, fala sobre seu ?novo jeito de fazer política?.

Luiz Augusto Silva, o Guto Silva (PSC), foi eleito em outubro com 45.313 votos, o 29º mais votado entre os 54 eleitos no Estado e o terceiro da bancada de 12 parlamentares. Foi sua segunda disputa estadual. Em 2010, então vereador de Pato Branco, ficou na suplência do DEM, seu partido anterior.
Nessa entrevista, ele conta que promete ter um mandato diferente, mesclando a tradição com uma postura nova. Também fala de sua relação próxima com o governador Beto Richa e de sua vida pessoal e profissional.
Casado com a terapeuta Karina Amadori (filha de Olcir Amadori e Marlene Gabriel), tem um casal de filhos: Francisco, 4, e Mariana, 2. Filho do ex-jogador Rafael Silva, professor, assim como sua mãe, Sônia Silva, Guto ficou sabendo ainda adolescente que não seria jogador de futebol. “Meu pai disse: eu vou dar um conselho pra você, meu filho, vai estudar [risos]”.
Guto, 38 anos, formado em Administração e Comércio Exterior, tem três irmãos: João Paulo, Rafaela e Mariah. Sobre política, ele diz: “Eu tinha vocação e não sabia. Tem muita gente que quer participar e não sabe que tem condições”.
JdeB – Como é que a família, de Maringá, veio parar em Pato Branco?
Guto – Meu pai era jogador profissional, jogou no São Paulo, foi campeão goiano pelo Vila Nova, jogou no América.
Como é o nome dele?
Rafael Silva. Ele terminou a carreira sendo campeão paranaense pelo Maringá, mas aí desmontaram o time e meu pai e minha mãe eram professores do Estado, e aí eles tinham a oportunidade de vir a Pato Branco ou a Chapecó.
Ele era colega de time do Inivaldo, do Itamar?
Exatamente, eram todos amigos dele. O Itamar fez até campanha pra mim.
A primeira matéria assinada que eu [Ivo Pegoraro] fiz foi o Maringá, o novo grande time do futebol do Paraná.
É, meu pai tava lá. E aí o que aconteceu é que o meu pai tinha aula do Estado, tinha distribuição de aulas em Pato Branco, e aí então eles decidiram ir pra Pato Branco pra lecionar. O pai tava dando aula e a mãe trabalhava sempre de vendedora.
Ele leciona o quê?
Educação Física, os dois são formados em Educação Física. E daí essa foi a história e depois de um tempo meu pai abriu uma loja, abriu um comércio grande, naquela época com importados, em Pato Branco, nos anos 90, e aí fomos tocando a vida.
E você jogou futebol?
Joguei salão em Pato Branco, aí com 14 ou 15 anos decidi que eu queria ser jogador de futebol e comecei a treinar no juvenil de Pato Branco. E eu nunca esqueço de um dia que nós fomos, numa quarta à noite, fazer um jogo contra São Jorge, o pai pegou o carro e foi escondido ver o jogo, e eu ia jogar de volante, aí no outro dia ele disse: “eu vou dar um conselho pra você, meu filho, vai estudar”. Minha carreira futebolística acabou ali [risos]. Mas eu continuei jogando nos finais de semana e ainda jogo às vezes, mas não passou disso. Meu irmão jogou no Guarani por um ano, mas só.
E você praticou algum outro esporte?
Sim, todos os esportes, Jogos Abertos por Pato Branco eu joguei basquete, futebol de campo e vôlei, aí nos Jogos Escolares joguei handebol e basquete, joguei de tudo, eu sempre tava envolvido com o esporte, fã de corrida e joguei tênis também. E meu pai tem uma coisa interessante que falam que ele é diferente mesmo, ele foi técnico da seleção brasileira juvenil de xadrez por uns cinco ou seis anos, e ele é número um ou dois no ranking de tênis acima de 50 anos, ele é esportista nato.
E você joga xadrez também?
Jogo, mas eu nunca ganhei uma partida do meu pai. E ele apostava que se eu ganhasse, ia me dar uma bicicleta, e eu lia, estudava, pegava livros pra aprender a jogar melhor, mas eu nunca ganhei uma única partida até hoje, ele não me deixa ganhar.
Teu pai não é fácil, então?
Ah, ele sempre foi muito estudioso, ele foi técnico da seleção brasileira de xadrez, já viajou por toda a América Latina em campeonatos, ele estudava muito.
Então, o que você apanhou no xadrez e no futebol, você se cobra na política [risos]?
Eu acho que sim [risos]. A minha mãe sempre foi mais da política, ela esteve por muitos anos no Núcleo Regional da Educação, a política lá de casa sempre foi a mãe.
O seu pai nunca foi candidato?
Não, nenhum dos dois. Mas o meu pai tem uma identidade com o povo. Pra mim isso sempre foi muito marcante, ia nos bairros com o pai e o pessoal falava, ah, mas então eu vou votar em você.
Seu pai te ajudou nesse sentido?
Sim, muito, muito. Minha família sempre me apoiou muito, os Amadori, a Carina, família muito tradicional, faz parte de toda a história de Pato Branco, e então acabou dando certo essa combinação, as pessoas têm identidade com a cidade.
Então, Guto, você já se sentiu um fracassado como futuro jogador [risos] e resolveu entrar para a política, como foi a reação familiar?
A minha história foi a seguinte: gosto muito da área de exportação de carnes, eu e meu irmão. que exporto o frango. E aí eu tava nesse ramo de microempresário e me convidaram pra dar aula lá na faculdade de Pato Branco, aí como eu tinha terminado o meu mestrado e já estava quase no meu doutorado, entrei na faculdade, tava lá com a piazada dando aula, escrevi livro, tava com a vida boa, trabalhando e tal.
Mas não era filiado?
Um dia precisava fechar a chapa, e aí eu acabei me filiando no PFL [depois DEM]. E fui candidato a vereador em 2008. Por que é que eu fui? Eu não gosto de falar muito, nem conto, porque a minha mulher tava grávida de nove meses, estava há uma semana pra nascer o nenê, e aí perdemos o nenê na barriga, ela teve que fazer uma cesárea, foi uma coisa muito traumática, muito traumática mesmo, nós estávamos em casa muito tristes. E aí os caras começaram a insistir pra que eu fosse ser vereador e eu estava naquela situação toda com a minha mulher, e aí eles falaram que ia ser bom pra eu conseguir sair de casa, o pessoal colocou na cabeça que isso ia ser bom pra mim, e aí decidi que então eu ia. Fui conversar com os meus pais, “não faça isso”, fui conversar com o meu sogro e ele disse que não era pra me candidatar, porque ia dar confusão e problema. E aí eu falei: olha, não é por mim, é pra poder sair, viver, porque senão nós vamos ficar enfiados em casa. Então todo mundo decidiu ajudar, e assim que começou.
E você foi o mais votado.
É, fui o mais votado [2.222 votos], eu tinha a faculdade e tava sempre em sala de aula, em desenvolvimento com os jovens, mas também tinha esse lado seguro das duas famílias, meu pai sempre esteve muito envolvido com a periferia, e o meu sogro também ali na área central, a família ajudou muito. E aí, sem querer, acabei sendo o mais votado [risos].
Mas aí você gostou do Legislativo e em 2010 foi candidato de novo, né?
É, eu tinha vocação e não sabia. Tem muita gente que quer participar e não sabe que tem condições, porque a política assusta, né. E aí eu comecei e gostei do negócio, achava que eu tinha jeito.
Mas aí você também foi crescendo dentro do partido e logo foi candidato a deputado.
É, em 2010, não tinha palanque em Pato Branco, e aí o Beto Richa me ligou um dia, porque nós temos um amigo em comum, que avisou ele que tinha eu aqui que tinha um perfil bom pra ser deputado e tal, aí um dia ele me ligou e eu falei mas, Beto, eu sou só conhecido aqui em Pato Branco, se eu saio daqui, ninguém sabe quem eu sou [risos]. Mas ele insistiu, falou que por eu ser um cara novo, por ter ideias parecidas com as dele… Decidi ir pra Curitiba, fui lá conversar, porque até então eu não conhecia ele, e aí ele insistiu e eu disse que, se era pra ajudar, eu ia, assim, bem despretensioso. Mas eu tava em Pato Branco e aí acabei ganhando do Augustinho Zucchi [por 18 votos: 14.741 a 14.723]. Então criou toda aquela expectativa pra prefeito e tal, mas eu tinha essa convicção que o jogo era outro, que eu tinha que ir pra esse caminho que eu tô fazendo agora. Porque aí eu fui pra Casa Civil.
E foi boa a experiência?
Ah, muito boa, eu sempre falo que o Beto me deu um presente, a subchefia da Casa Civil. Ele me colocou dentro do gabinete dele, porta com porta.
E aí o cenário passou a ser o Estado?
É, não tem jeito, você faz política sem querer, vai fazendo e eu sempre fiz meio desprendido, solto, e aí acho que isso atrai, porque quando você vai muito incisivo, fica ruim.
Foi quando você passou a viver 100% na política, passou a gostar disso?
Exatamente, é bom fazer política. Só que tem que ter vocação, porque não é fácil, aí eu tinha duas empresas pequenas e tive que me mudar pra Curitiba, fico aqui e lá, a Mariana foi com seis meses, e foi uma mudança de vida difícil, bem profunda, e eu ficava segunda, terça e quarta em Curitiba, quinta, sexta e sábado eu viajava pro interior, e no domingo eu voltava.
“Essa percepção da sociedade que o governo estadual ou municipal tem de fazer tudo não funciona mais”
Qual é a parte mais difícil nesse cargo da Casa Civil?
Eu vejo assim, o ponto de vista pessoal é isso, que é um troço que acaba com a tua vida pessoal, é difícil manusear, no dia a dia político, com 54 deputados, um contexto político. Então ali eu acho que foi um teste importante pra mim e eu acabei ganhando o respeito dos deputados.
E como é que você está se vendo a partir do ano que vem, estando na Assembleia como deputado?
Eu tenho feito uma análise bem detalhada, a sociedade se movimenta, a realidade tá mudando, tô planejando, tô conversando já com o pessoal, mas eu quero sair um pouco daquela linha política tradicional, eu acho que esse modelo tá defasado. Essa percepção da sociedade que o governo estadual ou municipal tem de fazer tudo não funciona mais. Vamos ter que começar a trabalhar com um cidadão diferente, mais cidadania, dele participando da cidade e assim por diante. E de outro lado nós vemos uma fase política que os governos não conseguem entregar o que a população espera, por um modelo de Estado muito grande e um modelo federativo desproporcional, então o governo não consegue mais atender à demanda da sociedade, então a pressão é muito grande, mas existe um esforço pra você lutar e ajeitar tudo isso. O que eu quero fazer no gabinete é isso: aliar um pouquinho isso, porque ainda é inescapável, mas esse novo movimento vem crescendo. Eu sempre brinco: o cara tem dentro de casa TV a cabo, internet dez mega, colchão box, televisão de plasma e tal, é de primeiro mundo a casa dele, mas ele sai pra fora e o serviço é tudo de quinta. Eu acho que nós estamos em uma crise social que vamos ter que reconstruir, porque como está, não dá mais.
Como deputado pela primeira vez, o desafio é aprender o que os deputados fazem, agora você então está com dois desafios, você tem que aprender aquilo que nem eles sabem [risos]?
É, e eu vou trabalhar nessa linha. Dentro do gabinete eu até vou dividir a equipe, uma equipe pra fazer o atendimento político, porque tem que ter para atender os prefeitos e vereadores, porque as demandas que vêm são justas e precisam disso, mas eu tô pegando uns pensadores dentro do gabinete, eu quero fazer um trabalho parlamentar diferente, resolver algumas questões, ter uma discussão, estou montando um conselho com pessoas assim, como um engenheiro da Copel, eu quero entender melhor essa relação e começar a discutir, fazer aquele feijão com arroz, na quarta-feira visitar os prefeitos e realizar os protocolos pra poder obter recursos, é importante, mas não vai ser a essência, não é o que a população quer, ele quer o recurso, mas não é essa condição que eles querem dessa nova política.
E essa questão que você fala que a gente vê o tamanho da burocracia, e o debate das privatizações nesse contexto, você acha que tem espaço ainda pra retomar isso?
Tem que ter. O pessoal fala assim, dessa classe A, B e C, eles reclamam muito da infraestrutura, reclamam dos aeroportos, de que não tem trem, não tem estrada, mas ele viaja para o exterior, por exemplo, na Alemanha, que é tudo uma maravilha, mas é tudo privado, o Estado não tem mais condições de ficar interferindo em questões que não tem condições de administrar. Eu sempre digo que a inteligência não está mais no Estado, teve épocas que o Estado era um grande fundador de inteligência coletiva, mas hoje é restrito, e por isso que somos nós que vamos ter que construir. Às vezes o pessoal tem medo de discutir, mas é necessário, eu quero começar a colocar alguns assuntos. Não significa também que vamos privatizar, não é isso, mas nós vamos ter que entender melhor o setor produtivo, o que as correntes dentro do Estado pensam.
Eu acho que tem que começar assim, qual é o caminho que temos para que a população seja melhor atendida, né?
É isso mesmo, começa assim a discussão. E é por isso que a população diz “eu pago imposto e então eu quero serviço de qualidade”, porque ele não compreende essa carga tributária de como é feito tudo isso, então o serviço de qualidade, nesse modelo federativo que nós temos, é utopia pura.
Um sonho que agora está na cabeça do pessoal do Sudoeste é esse corredor da rodovia de Realeza, dessa ligação de Beltrão e Pato Branco, você acha que é possível?
Eu acho que é possível. Federalizando. O Estado do Paraná não tem condições de fazer essa obra.
Mas dentro dessa possibilidade tem o pedágio.
Mas o pedágio é modelo PPP [Pareceria Público Privada].
E se federalizar sem pedágio?
O que acontece com a PPP é que o modelo federal é concessão, então o Estado deveria fazer investimentos na infraestrutura, readequar a estrada, deixar nas condições; o governo federal assume e aí começa a fazer as concessões, como foi feito aqui no trecho de União da Vitória e assim por diante, e duplicando pelo menos alguns trechos de maior fluxo, como Pato Branco e Beltrão, Beltrão a Realeza, esse é o caminho. Essa rodovia eu não sei como foi estadualizada, porque ela passa em Santa Catarina, tá em cima da bacia hidrográfica do Chopim com a do Rio Uruguai, ela tá bem no eixo em cima do divisor de águas, então tem uma hora que ela entra em Santa Catarina e tem outra hora que ela entra no Paraná, ela nunca poderia ser estadualizada.
O que está mais próximo aqui, nós conseguirmos essa rodovia ou a linha área?
Eu acho que as duas estão no mesmo ritmo. Eu acho que nós temos que tocar a toque de caixa, não deixar pensar muito, decidir e pronto, a gente não sabe se vai entrar um programa de concessão; agora a linha área não sei, porque eu também não estou acompanhando muito de perto essa questão, mas é vital, a região precisa.
Guto, como é que você vê essa proposta de dinheiro público para as campanhas?
Essa discussão de financiamento público ou privado, eu não tenho opinião formada, acho que tenho que amadurecer, mas a princípio acho que é importante financiamento público, todo mundo igual e tal, mas a classe política é muito dinâmica. Então, eu acho que tem que evoluir e eu também não me aprofundei muito sobre essa questão, mas a minha campanha, de forma geral, esteve dentro do programado de gastos e de ajuda do partido. Uma condição diferente, que foi o partido que menos gastou. Talvez no futuro um voto distrital misto possa funcionar.
E Pato Branco, que se fala em governo do Estado, o Beto Richa ganhou lá, como é que você tá vendo, já da pra sentir a diferença?
Já, sim, Pato Branco passou muitos anos desalinhado, e isso também eu acho que o Zuchi conduziu muito bem, é um elemento muito firme com ele e o governo estadual e federal. Mas eu acho que mais importante do que ter esse alimento político, é a população ter confiança no futuro, a cidade puxa, o investimento vem, então o que a gente tem sentido em Pato Branco é isso, que tá num momento muito bom, porque há uma confiança nessa relação política, na classe empresarial, então há um sentimento de investimentos. A cidade tá muito bem, acho que o Zuchi transmitiu bem o sentimento da cidade, a gente fala que o quadro socioeconômico é com mais de 60% da classe A, B e C, então, tem uma linha de pensamento que força esse tipo de condição, é isso que a gente tá sentindo, que tá num bom momento e isso propaga, se você sente firmeza no processo político, isso interfere na comunidade, que ela vem junto.
Você gosta da história do Paraná?
Paraná significa rio que parece com um mar, só que os Incas chamavam o Paraná de Terra da Eterna Juventude, pela abundância natural, e o Sudoeste é mais velho que o Brasil. Eu peguei as cartas mandaguinas e filipinas nos mapas. O Tratado de Tordesilhas faz a divisão. A primeira discussão de Tordesilhas remete aqui, a região da Prata e aqui no Sudoeste.
Mas aqui não tinha niguém…
Não. Na tradição da história, das fronteiras, divisão, aqui tinha discussão muito antes de ser país, bem mais antigo. A história do Paraná é linda. Uma coisa que eu falo pros gaúchos: vamos fazer um negócio aqui, nossa Semana do Sudoeste, nossa história é mais bonita que a Farroupilha. Tem o Tratado de Madrid, a questão de Palmas, Tordesilhas, Contestado, a revolta de 1957, o Estado do Iguaçu, o território federal do Iguaçu, não tem uma região que tem essa densidade aí. Pato Branco se chamava Vila Bom Retiro. Mas o primeiro nome era Canela, descobri há pouco, esses dias aí.
Daí criaram a Vila Bom Retiro, começaram a chamar de Vila Nova e depois veio Pato Branco?
História rica, história nossa, do Sudoeste. E a política aqui se faz como em nenhum lugar do Paraná. Uma ambulância em outras regiões os caras fazem carreata; aqui entregam uma ambulância e os caras: o que você trouxe pra saúde? Quando que vem o recurso pro hospital? Não tem conversa, aqui é linha dura.
E o que você acha que o Beto fez pra reverter a primeira eleição, que ele perdeu em todos os municípios, e agora ganhou em todos os municípios?
Eu acho que, assim como conceito político, ele fez o contraponto do Requião, acho que ele acertou, conseguiu ter essa leitura: essa presença pelo interior faz a diferença.
Ele tinha a fama de ser só de Curitiba.
Ele foi muito presente no interior, fora do padrão, quatro anos em todos os municípios, presente constantemente nas cidades polos. Pato Branco e Beltrão, quantas vezes?
Como ele consegue mostrar sempre uma imagem de uma pessoa positiva? Porque na política não interessa se o cara é político ou não, tem partes difíceis de administrar.
Eu trabalhava porta com porta com ele, eu convivi com ele todo dia, ele tem algumas características que são interessantes, uma: quando pega um assunto pepinoso e tem que encaminhar, ele tem essa sabedoria, e acho que isso é um pouco do pai dele [José Richa], de conduzir a coisa, ele esfria, ele espera. Tem muito assunto que eu vi resolver por si só, ele tem uma capacidade imensa de escutar, é um bom ouvinte, uma capacidade política absurda, um grande articulador, tem o time da política, às vezes o cara não pode resolver hoje, espera 15, 20 dias, ele tem um tempo de tomar decisões diferente. O Beto erra pouco, no governo o que ele errou? Pouco, erra muito pouco.
Essa parte financeira, como que você vê, do PT continuar deixando o Paraná de lado, como que vai conseguir administrar esses quatro anos?
Eu não acho que a Dilma vai cometer esse erro, honestamente, eu acho que ela vai ter um olhar diferente, a votação no Paraná também foi um recado, porque as obras, os investimentos precisam andar. Eu não acredito de verdade que ela vai ignorar ou vai cercear o Paraná de alguma coisa, eu acho que não. Porque nos últimos anos judiou.
Guto, como foi tua experiência no exterior?
Quando eu tava na faculdade, tinha uma bolsa pra estudar fora e eu na hora me matriculei, tava no terceiro ano de faculdade.
Onde você fez faculdade?
Itajaí. Fui pra Espanha, estudei relações internacionais, em Portugal fui estudar na universidade de Salamanca, a universidade mais antiga do mundo. Com minha formação de comércio exterior, relações internacionais, eu precisava aprender inglês, daí não tinha dinheiro, não tinha bolsa, fui pra Inglaterra, aí eu trabalhava de garçom à tarde e estudava inglês de manhã, fiquei mais dois anos e pouco trabalhando de garçom e estudando, e viajava. Quando eu voltei pra cá, fui trabalhar em Joinville, na Tupi. Daí fui exportar madeira, tinha 22, 23 anos: subia no avião, fazia Panamá, Equador, Venezuela, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Cuba; voltava, passava 30 dias, fazia Miami, a costa leste americana, até o Canadá, e voltava e ia pra África, fazia Angola, Moçambique, eu ficava quatro meses fora do Brasil, viajando. Então abri uma empresa de frango e começamos a fazer Ásia, Europa, mais de 50 países, sempre vendendo, então acho que isso também dá uma experiência.
Aprendeu bem inglês, espanhol?
Falo inglês fluentemente. Quanto mais você vê o mundo, mais você perde o medo, você fica autoconfiante. Um pouco de eu estar ao lado do governador Beto Richa é um pouco disso, a leveza. Cheguei lá, nada me pressionava, nem deputado, senador, eu brincava, conversava, e o Beto sentiu isso aí. Quando nós fomos pra Nova York, organizei um gold show lá, tinha o City Bank, o The Manhattan, os maiores bancos, o Beto fez palestra pros empresários, o Beto foi apresentar o Paraná. Ele deu entrevista pro Financial Times e depois de 20 minutos eu falei: acabou o tempo. Tirei os caras da sala e tinha que seguir a agenda e o Beto “pô, Guto, é o Financial Times”. E eu: e daí? você é governador do Paraná, não podemos ficar na agenda do jornal o dia inteiro; e ele me olhou e falou: “você também, hein!”. Por que pro Jornal de Beltrão, pro Diário do Sudoeste não tem tempo e aqui você vai querer ficar uma hora? [risos]. Fomos pra Chicago e acho que ele percebeu muito dessa minha desenvoltura em inglês, jantar com o pessoal dos bancos, conversar sobre economia, e nessa viagem ele falou: “Quero você dentro do meu gabinete, do meu lado”, daí que eu saí do quarto andar e fui pro terceiro, de porta com ele.





