Expandindo a proteção para outros rios do Sudoeste

O agricultor Adelino Menegatti (camisa xadrez) com os rotarianos Antônio Cesar Soares (secretário de Meio Ambiente de Francisco Beltrão), Névio Urio e Luiz Gustavo Monteiro, durante visita à fonte localizada na propriedade de Adelino.

A longo prazo, a expectativa é de que o projeto se amplie para outras bacias, como as dos rios Santa Rosa e 14. Embora o nome original da iniciativa remeta apenas ao Rio Marrecas, Névio diz que a autorização para incluir novas áreas pode ser solicitada à sede mundial do Rotary, nos Estados Unidos.

Além da proteção ambiental, a iniciativa também busca conscientizar os produtores rurais sobre a importância da preservação da água. “Onde o agricultor cercou, a nascente se manteve. Isso tira parte da preocupação com o futuro e garante segurança hídrica”, afirma Névio.
O projeto prevê um investimento total de aproximadamente R$ 2 milhões. Só a instalação de um sistema completo por nascente custa em torno de R$ 2 mil, considerando materiais, mão de obra voluntária e apoio logístico. Os recursos vêm da Fundação Rotária, da contrapartida da prefeitura (via fundo repassado pela Sanepar) e de doações de empresas e pessoas físicas.

Névio também diz que Francisco Beltrão se destaca como o município que mais contribui com a Fundação Rotária em todo o Distrito 4640, o que facilita a aprovação de novos projetos. “Beltrão representa cerca de 25% das contribuições de um universo de 42 cidades e 117 clubes no distrito.”
Apesar do tamanho e impacto do projeto, Névio destaca que o trabalho é voluntário e motivado por propósito. “É algo que faço há muito tempo. Acho que esse é o salário: saber que, daqui a 50 anos, a cidade vai colher
os frutos.”

A proteção de nascentes pode mudar o cenário, que é de períodos de secas


Com histórico de períodos de seca, a proteção das nascentes pode mudar cenário no futuro


Adelino Menegatti ao lado da fonte preservada em sua propriedade há cerca de dois anos. Periodicamente, os produtores fazem a limpeza do sistema para remover resíduos de terra que se sedimentaram com o tempo.

A região de Francisco Beltrão tem grande histórico de períodos de seca. Antes dos dados oficiais meteorológicos, que começaram a ser registrados em 1979 pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) – hoje Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) –, agricultores beltronenses, como Michel Fankhauser, já relatavam estiagens graves no passado.
Fankhauser – austríaco naturalizado brasileiro – era um agricultor que tinha por hábito escrever em um diário desde 1974. Em seus relatos, registrou a maior seca que presenciou na região. A estiagem vinha se agravando desde o fim de 1977. Em 6 de março de 1978, ele anotou: “O rio Iguaçu nas cataratas tem só mais uns fios de água; o Rio Macaco passa num cano de polegada”. Poucos dias depois, escreveu novamente sobre o Rio Macaco, afluente localizado no interior do município, e já não corria mais água pelo seu leito.
Somente em 21 de junho daquele ano, Fankhauser escreveu: “Fim da seca que durou seis meses e matou muitos pinheiros. O arroz e o feijão não deu nada; o milho muito pouco. As vertentes tinham secado quase todas, agora as águas estão normais de novo”.

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Outros anos de seca

Não se sabe, além das testemunhas daquela época, o quão grave foi a seca entre 1977 e 1978. A média anual de chuvas em Beltrão gira em torno de 2.000 milímetros. Em 1980, já com registros oficiais do Iapar, houve outro ano de poucas chuvas, com volume inferior a 1.600 milímetros. Em 1985, uma seca ainda mais severa: apenas 1.348 milímetros. Em 1988, choveu 1.407 milímetros. Já em 1995, 2006 e 2008, os volumes de chuva também ficaram abaixo dos 1.600 milímetros.
A pior seca da história do município desde 1979, no entanto, foi registrada recentemente, nos anos de 2020 e 2021. Choveu apenas 1.465 e 1.311 milímetros, respectivamente. Até então, nenhuma das secas anteriores havia tido um “ano irmão” consecutivo. Sempre após um ano de seca grave, havia pelo menos dois anos de boas chuvas, normalizando os níveis dos rios e afluentes.
O cenário também foi grave em outras regiões do país. Em 2021, cinco estados – entre eles o Paraná – decretaram emergência hídrica pela primeira vez em um século de serviços meteorológicos.

Preservação de nascentes como alternativa

O projeto de preservação de nascentes pode cooperar com a redução da perda de volume de água em períodos de estiagem prolongada.

Benhur Garbozza relata que, antes, a água era turva. Após a preservação da nascente, a água flui límpida e sempre com um grande volume. Há mais fontes que serão preservadas em sua propriedade.

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