
As mãos calejadas do tamanho do nosso Brasil. Um pouco cansadas pela idade, é certo, mas nunca paradas. Nunca sem pegar num cabo de enxada, fazer uma cerca, ajudar algum vizinho, tratar a bicharada que ainda tem. Umas galinhas, um porco e um boizinho para a engorda. Para abastecer de carne a família nas festividades de final de ano. E, claro, os seus cachorros que o acompanham o dia todo, pra lá e pra cá.
Uma vida dedicada ao campo
É aposentado, depois de uma vida toda de produção e de batalhas. No peito não tem medalhas, mas cicatrizes de uma vida toda dedicada à terra, na terra, para a terra. Nunca deixou de ser do campo, mesmo no tempo que morou na cidade, quase dez anos. Trabalhou lavando carros num posto de gasolina, mas na primeira oportunidade voltou para o interior. Comprou uma terrinha próximo de onde morava antes.
Causos, tiros e destino
Enfrentou pelejas nesta vida. Conta que um caboclo metido a bravo certa vez lhe deu três tiros, mas que por sorte do destino ou por graça de Deus, não acertou nenhum. Foi por conflito de divisas e teimosia. Depois de alguns anos, já no outro sítio, soube que o atirador velho morreu, por ironia do destino, também por um balaço. Sempre tem um pior e mais bravo.
Memórias ao redor do fogo
Este é um dos causos que gosta de contar, enquanto ceva o chimarrão para matearmos e pitarmos um paieiro, ao redor da churrasqueira de tijolos no galpão velho que já viu tanto e tem tanta história. Assim como ele, sua família, estas terras. Mostra com orgulho a bota antiga de couro caprichada feita a mão que pertenceu a seu pai. Velho pai. Há tempos falecido. Botas que já pisaram tanto neste chão agraciado por tantos pés que construíram a história do que hoje chamamos Sudoeste do Paraná.
Inverno no sul do mundo
Ronca mais uma cuia. A carne tá quase pronta, pingando aquela gordura na labareda da lenha que queima. Os pés de frutas cheios de pocãs, bergamotas e laranja. É inverno no sul do mundo. Obrigado, Seu Miguel, diz o tempo, o espaço e eu.







