“A gente nem bem se recupera de um luto já entra em outro.”
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Em seis meses, dona Maria Gessi Antunes Mendonça, 71 anos, moradora do Bairro Cantelmo, em Francisco Beltrão, perdeu cinco familiares em decorrência da Covid-19. Evaristo, 74 anos, o esposo, morreu em novembro de 2020. Depois vieram as perdas dos filhos Veroni (46 anos), em 25 de março, Osni (51 anos), em 7 de abril, e do genro Valdecir Zanchieta (55 anos), em 20 de maio. “O coração tá despedaçado, a gente nem bem se recupera de um luto já entra em outro”, diz em lágrimas.
A filha Ivone (55 anos), esposa de Valdecir, estava internada há 30 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), da Policlínica São Vicente de Paula. Quinta-feira, 27, quando dona Maria recebeu a reportagem do Jornal de Beltrão – respeitadas todas as medidas preventivas –, o quadro de Ivone era preocupante. Quando foi internada apresentava comprometimento de 95% dos pulmões, de imediato foi entubada. No dia que completou um mês de internamento (quinta) houve falência dos rins e febre. Duas horas depois que a reportagem deixou a casa de Dona Maria, o telefone tocou e a notícia que ela não queria ouvir: Ivone acabara de falecer.
Dona Maria também foi contagiada pela Covid-19, aliás, praticamente toda família passou pela doença. Dos sete filhos, apenas um não pegou. “A mãe foi várias vezes para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e teve muita falta de ar, mas graças a Deus deu a volta por cima”, comenta Isolete, 42 anos, uma das filhas. A saga da doença na família começou por um dos filhos que pegou Covid-19 no trabalho. Em seguida, a bisneta Ágata, de 5 anos, também testou positivo e assim a doença foi se espalhando. “A nossa família era muito unida, enchia a rua quando a gente se reunia (antes da pandemia). Uma das alegrias do pai era reunir a família e assar uma carne. Agora nem sei mais como vai ser”, lamenta Isolete.
Dona Maria teve sete filhos, um faleceu em acidente e três foram levados pela Covid-19. Restam os outros três filhos, 13 netos e 15 bisnetos. “Estamos dando força uns aos outros neste momento difícil, pedindo oração pras pessoas e consolando a mãe”, comenta a filha.
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Demora na vacina
Isolete se sentiu mal, uma forte dor no tórax, no dia 30 de janeiro. Foi consultar e imediatamente a médica receitou o tratamento precoce. O resultado positivo de Covid só lhe foi comunicado dia 8 de fevereiro. “Eu acho que no meu caso o tratamento precoce fez toda a diferença. Já pensou se eu fico esperando até sair o resultado.” Ela também reclama da demora para a população receber a vacina. “Eu tenho artrite, fibromialgia e pressão alta, tomo dois comprimidos por dia, fui no posto, mas diz que tem que tomar três (comprimidos) por dia e não fizeram a vacina.” Apesar de triste, Isolete salienta que a história da família tem que servir para conscientizar as pessoas de que a Covid-19 não é apenas “uma gripezinha”. “As pessoas têm que usar máscara, evitar aglomeração e rezar. É só o que a gente pode fazer nesse momento.”





