Objetivo é ampliar o acesso ao diagnóstico.
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O SAE/CTA, coordenado por Lia Henke, deve receber em agosto o autoteste para HIV.
O exame poderá ser feito em casa e vai ser direcinado para grupos mais vulneráveis.
Fotos: Aline Leonardo/JdeB
A Secretaria de Saúde do Paraná anunciou na semana passada que está ofertando aos municípios do Estado o autoteste de HIV, com o objetivo de ampliar o acesso ao diagnóstico da doença. Em Francisco Beltrão, o SAE/CTA (Serviço de Atendimento Especializado e Centro de Testagem e Aconselhamento) já fez a solicitação de 50 autotestes, que devem chegar em agosto e serão direcionados a um público mais vulnerável.
A liberação do insumo prevê a orientação e o acompanhamento das pessoas antes da retirada do material e, para quem testar positivo, depois, com a realização de exames adicionais para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento de imediato, de forma gratuita. O SAE/CTA, que atende a população dos 27 municípios da 8ª Regional de Saúde, registrou 69 casos HIV em 2018, 75 em 2019 e 38 de janeiro a agosto de 2020.
De acordo com Lia Beatriz Henke, coordenadora do centro, a pandemia fez com que os atendimentos diminuíssem cerca de 30% a 40%, muito pelo medo que as pessoas têm de sair de casa pelo coronavírus e pela falsa ideia de que há risco de contaminação com o HIV ao procurar o serviço. Ela acredita que o autoteste, que será feito em casa, vai contribuir para que o público se sinta mais seguro. “Lembrando que não é um teste diagnóstico, a pessoa leva pra casa, faz e, se der positivo, tem que ir ao SAE pra gente confirmar. Mas a gente não vai deixar de fazer os testes rápidos aqui.”
E se der positivo?
O material será dispensado, inicialmente, a grupos considerados mais vulneráveis (homens que têm relações sexuais com outros homens, companheiros de pessoas com HIV, mulheres trans e profissionais do sexo). Deve acontecer uma entrevista prévia e, em caso de resultado positivo, haverá toda a orientação necessária. “A gente vai ensinar a interpretar esse teste, se positivo, vai retornar ao SAE ou à unidade de saúde e vai fazer os exames complementares. Por isso é tão importante a entrevista, porque você tem que ver se a pessoa tem estrutura emocional para lidar com um resultado positivo”, comenta Lia.
A intenção também é de fazer o diagnóstico precoce, que aumenta muito a chance de o paciente levar uma vida sem maiores complicações e, seguindo com o tratamento certo, diminui a capacidade de transmissão do HIV. “Tem alguns estudos que indicam que, se ficar seis meses com carga viral indetectável, uma quantidade bem baixa de vírus, diminui em até 80% o risco de transmissão para outras pessoas. E existem outros estudos que se por um ano mantiver a carga indetectável fica intransmissível. E isso é um ganho muito grande para a sociedade, então esse teste vai entrar na ferramenta de prevenção.”
O Serviço de Atendimento Especializado e o Centro de Testagem e Aconselhamento atendem na Rua Maranhão, esquina com a Tenente Camargo, no Centro da cidade. Lá, são realizados gratuitamente testes para detectar HIV, sífilis, hepatites B e C, tuberculose e hanseníase. Os portadores recebem acompanhamento clínico e, quando necessário, atendimento psicológico.
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