Hospitais e unidades de Saúde correm risco de desabastecimento com a greve dos caminhoneiros

No Sudoeste, instituições ainda estão abastecidas, mas já começaram a surgir problemas.

Ambulâncias e veículos da Saúde têm sido liberados nos bloqueios. Contudo, algumas cargas são transportadas em caminhões não identificados e ficam bloqueadas.

Foto: José Delmo Menezes Junior/JdeB

A paralisação nacional dos caminhoneiros já provocou o desabastecimento de combustíveis e gás de cozinha em muitas cidades, além de um princípio de desabastecimento em supermercados. Agora, a preocupação se volta para o setor da Saúde, que começa a sentir os primeiros impactos da greve da categoria.

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A Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (Femipa), que representa 61 instituições em todo o Estado, está comunicando aos usuários dos serviços de Saúde que, em função da greve dos motoristas a entrega de medicamentos e materiais já está sendo afetada. “Isso porque, tais produtos são transportados em caminhões não identificados (de transportadoras diversas), dificultando a liberação nas estradas. A entrega de oxigênio, realizada em transporte especial e exclusivo para esse fim, permanece normal”, informa a entidade.
A Femipa informou ainda que reconhece o “direito democrático à greve da categoria, esperando que, no menor espaço de tempo possível, o diálogo entre as partes resulte em uma decisão que permita o retorno à normalidade das atividades em todo País”.

 

Roupas do Hospital Regional do Sudoeste
A direção do Hospital Regional do Sudoeste (HRS) informou ontem ao JdeB que os estoques de medicamentos e suprimentos necessários para os atendimentos aos pacientes estão abastecidos até o momento, mas que se a situação não se normalizar existe o risco de desabastecimento de alguns itens nos próximos dias.

A preocupação maior da instituição, no entanto, é com o enxoval hospitalar. Toda a higienização é feita por uma empresa de Cascavel e os caminhões têm encontrado dificuldade para conseguir passar pelos bloqueios dos caminhoneiros. “Logo, o fornecimento fica comprometido por conta do deslocamento que é diário”, diz Nádia Vissotto, diretora do Hospital Regional.

Segundo Nádia, os atendimentos ainda não foram comprometidos em função destas dificuldades, mas se faltarem roupas limpas não será possível receber os pacientes. “Temos o suporte do Estado e, inclusive, da Defesa Civil. Estamos conseguindo documentos para que o veículo que transporta o enxoval possa passar pelos bloqueios”, informa.

Ainda conforme a diretora do HRS, existem suprimentos que estão parados nos portos, mas nos hospitais da região a assistência ainda não foi comprometida. “Estamos atentos e ajudando uns aos outros, entre os hospitais, para não deixar faltar nada pra ninguém. Mas tudo isso preocupa”, ressalta.

 

Caminhão da Saúde bloqueado
Segundo a chefe da 8ª Regional de Saúde de Francisco Beltrão, Cintia Ramos, os hospitais da região estão abastecidos, mas a tendência é que comece a faltar itens nos próximos dias. Ela também destacou a preocupação com a economia de combustível. “Evitamos realizar reuniões e capacitações para poupar combustível. Mas se não regularizar logo, podemos começar a ter problemas mais graves”, destaca.

Uma das preocupações é com o caminhão da Secretaria do Estado da Saúde (Sesa), que abastece a região com os materiais e medicamentos necessários para os atendimentos. Segundo Cintia, o caminhão é liberado quando vem carregado para a região, mas no retorno, quando está vazio, não permitem sua passagem pelos bloqueios.

Cintia afirma que a última remessa de doses da vacina contra a gripe já foi recebida e distribuída para as unidades de Saúde da região. “Assim, a campanha de vacinação não foi afetada e segue normalmente até o prazo estabelecido.”

 

Rede municipal abastecida
Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde de Francisco Beltrão, até ontem o abastecimento estava normal e há um bom estoque de medicamentos, sem nenhum tipo de medicamento faltando. Contudo, a Secretaria reforça que se o movimento continuar por mais alguns dias, alguns tipos de medicamentos podem vir a faltar. *Com assessorias.

 

Hospitais de SC cancelam cirurgias eletivas

JdeB* – Até ontem, cinco hospitais privados e filantrópicos de Santa Catarina já haviam cancelado cirurgias eletivas e outros nove enfrentam problemas de abastecimento de materiais por conta da greve dos caminhoneiros, segundo associações de hospitais.

Cancelaram cirurgias o Hospital Caridade de Florianópolis, o Hospital São José de Maravilha e o Hospital Regional São Paulo, de Xanxerê. Dois deles, Hospital Bom Jesus (Ituporanga) e Hospital Maicé (Caçador), cancelaram cirurgias eletivas. O Hospital São Sebastião, em Turvo, está com dificuldades de receber materiais e medicamentos. Já a Associação Hospitalar Beneficente de Pinhalzinho, está com pedidos de remédios atrasados.

Falta de oxigênio em São Paulo
Em São Paulo, a preocupação das instituições de saúde é com os estoques de oxigênio. Os hospitais trabalham com reservas para dois ou três dias, no máximo. Se a greve persistir, logo pode haver desabastecimento.

Em hospitais como o Albert Einstein e o Sírio Libanês, em São Paulo, os planos de contingência já estão a postos. “Temos o nosso próprio transporte fretado para buscar funcionários. E a empresa tem postos de gasolina próprios. A lavanderia também tem diesel estocado”, afirma Sidney Klajner, presidente do Hospital Albert Einstein. *Com informações da Folha de São Paulo.

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