Foram destinadas 1.856 doses para 1.918 indígenas.

Terra Indígena Manguerinha.
Indígenas de comunidades localizadas na área da 7ª Regional de Saúde começaram a ser vacinados nesta semana. Foram destinados pelo Governo do Estado, 1.856 doses da CoronaVac, que devem imunizar 1.918 indígenas neste primeiro momento. A segunda dose deve ser aplicada após 25 dias da primeira. A presença dos indígenas foi o motivo para que a 7ª Regional de Saúde tenha recebido mais doses que a 8ª Regional, que compreende a região de Beltrão.
Na área da 7ª Regional há uma reserva indígena, que abrange os municípios de Chopinzinho, Coronel Vivida e Mangueirinha, e uma Terra Indígena em Palmas. Só a reserva tem mais de 2,5 mil indígenas e a TI de Palmas, 755, de acordo com dados do Instituto Socioambiental (ISA). O número total de toda a região, porém, é maior, mas por estarem em terras onde o processo de demarcação não foi concluído, eles não entraram no plano de vacinação do Governo do Estado, que considera apenas os indígenas aldeados.
Segundo a enfermeira do programa de imunizações da 7ª Regional, Andressa Maria k. Pipino, desde as chegadas das vacinas, as equipes da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) tem aplicado as doses nessas comunidades. A previsão é de que até hoje todas as vacinas destinadas a esse público sejam aplicadas.
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Indígenas incentivam vacina
O kaingang Adrian Felipe Alves, de 32 anos, foi um dos primeiros a receber a dose da vacina CoronaVac na Terra Indígena Manguerinha. Ele é motorista da equipe da saúde na Reserva e comemorou a chegada da vacina. “Para nós, como indígenas, surge uma esperança. É um sentimento de começar o ano com o pé direito. A gente indígena somos do grupo de risco, para nós é muito importante.
Sempre foi trabalhado e lutado para que isso acontecesse. Então é uma esperança de renovação, de um ano melhor, de um ano totalmente diferente do ano que se passou. Em todo o Brasil acompanhamos a perda de muitos irmãos indígenas, líderes que têm muita importância para nossas lutas. Então, para nós, essa vacina é de extrema importância”, disse.
A comunidade sofreu devido à pandemia sobretudo no mês de novembro do ano passado, quando um surto de Covid-19 atingiu 37 pessoas, com dois desses casos evoluindo para a forma grave da doença, necessitando internação. Nesse período, as principais entradas da reserva foram fechadas pelo período de 15 dias, para evitar circulação de pessoas.
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De acordo com a Adrian, que também contraiu o vírus, as medidas ajudaram a frear o avanço da doença, que dos 37 casos conseguiu cair para zero, eliminando a presença do vírus na aldeia. “Então, para nós, conseguir essa vacina é um momento histórico”, destaca Adrian.
Marcio Kókoj Kaingang, de 35 anos, da Aldeia Campina dos Índios, que pertence à Reserva, disse que outro fator que ajudou a comunidade foram os chás, feitos a partir da sabedoria indígena. Segundo ele, pessoas da cidade chegaram a buscar a aldeia para pedir as plantas a fim de evitar a Covid-19.
Apesar disso, Marcio frisa que a confiança na ciência e a espera da vacina eram prioridade. “Antes da vacina usamos chás de ervas medicinais, nossas, que muitas pessoas, não índios, acabaram solicitando. Pessoas que acabaram contraindo o coronavírus, Covid-19, e buscaram o nosso conhecimento. Infelizmente tem esses movimentos negacionistas. Talvez influenciados pelas nossas lideranças políticas. Nós trabalhamos a questão espiritual, que são as ervas, mas se tem a ciência, temos que ter ela do nosso lado. E se a vacina veio da ciência, temos que entender que será possível fazer as prevenções que precisam e também diminuir a intensidade do vírus, que, hoje, infelizmente, no Brasil, tem mais de 200 mil brasileiros mortos por causa desse vírus”, defendeu.
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Ataques
Os indígenas são considerados grupos de risco, por isso têm prioridade na vacinação. Adrian lamenta que, devido a isso, as comunidades acabam sendo alvo de ataques racistas nas redes sociais, que generalizam os indígenas e se voltam a um senso comum. Segundo ele, o desejo da comunidade é que a vacina se estenda a todo o Brasil e que o maior número de pessoas seja imunizado rapidamente.
Coronel Vivida
Em Coronel Vivida, onde há uma aldeia pertencente à Reserva de Manguerinha, a vacinação começou na quarta-feira, 20, na Unidade de Saúde Básica (UBS) da Reserva Indígena. A primeira a receber a dose foi a indígena Doralina de Jesus Maciel, de 96 anos. Ela estava acompanhada do cacique João Santos. Maria da Luz Severina, de 109 anos, indígena mais velha da comunidade, também recebeu o imunizante.
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