Danielle Brant (Folhapress) – O superintendente da Polícia Federal no Distrito Federal, Victor Cesar Carvalho dos Santos, foi no fim da tarde à Câmara dos Deputados tentar colocar tornozeleira eletrônica no deputado Daniel Silveira (União Brasil-RJ), mas acabou deixando o local sem conseguir cumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes.
O deputado tem se recusado a aceitar o cumprimento da medida e busca usar a Câmara como escudo. Ele dormiu nas dependências da Casa na madrugada de ontem. O delegado da PF queria a aprovação do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), que não estava presente.
Ao delegado foi entregue um documento do próprio Daniel Silveira dizendo que não cumprirá a ordem do ministro. Sem a autorização formal de Lira, o chefe da PF do DF deixou o local e vai prestar informações a Moraes de que não foi possível cumprir. Horas antes da chegada da PF, o presidente da Câmara havia defendido a inviolabilidade da Casa, mas criticou o uso midiático das dependências da Casa pelo deputado.
Lira pressionou o STF (Supremo Tribunal Federal) a analisar a ação contra o bolsonarista que tramita na corte. O julgamento foi marcado para dia 20 de abril. Moraes havia determinado que Silveira passasse a usar o dispositivo por descumprir medidas cautelares e fazer “repetidas entrevistas nas redes sociais e encontro com os investigados nos inquéritos”.
Terça-feira, 29, porém, o deputado bolsonarista circulou sem tornozeleira eletrônica pela Câmara, disse que não cumpriria decisão “ilegal” do ministro e afirmou que Moraes tinha que ser “impichado e preso”.
Ontem, à noite, a Polícia Legislativa isolou a área próxima ao gabinete de Daniel Silveira. Momentos depois, o parlamentar saiu, acompanhado de assessores, e se encaminhou para o plenário. Segundo sua assessoria, ele passou a madrugada na Câmara.
Ele foi defendido por aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL), que qualificaram a ordem do ministro do Supremo de “afronta à democracia”.





